Artesanato significa arte e técnica do trabalho manual não industrializado, ou seja, escapa à produção em série. Além disso, os produtos são feitos por um artesão e tem uma finalidade útil e artística. Muitas vezes, essa atividade se inicia na vida das pessoas com o objetivo de distraí-las, mas muitos descobrem no hobby uma forma de ganhar dinheiro.

Foi a partir do artesanato que alguns bauruenses começaram a empreender. Conversamos com cinco artesãos para descobrir como tudo começou. Confira:

Marina Louzada
“No começo, o meu trabalho era cuidar da casa e da família, as vendas estavam sempre em segundo plano. Por isso era tranquilo conciliar a produção com a rotina e a maternidade. As coisas tinham limites bem determinados. Atualmente, com o Ateliê, é um pouco mais complicado, não só por ser um negócio familiar, mas também porque a nossa filha está sempre por perto e participando de tudo. Mas nós tentamos fazer o melhor possível em todos os momentos e quando falta atenção aqui ou ali, é preciso compensar (risos). Hoje tenho o Ateliê. Está bem no comecinho, é um bebê e ainda não engatinha. Por isso é preciso estar presente em todas as etapas. O que é muito gostoso, confesso. Cozinhar é sempre a melhor parte. Eu tenho muito orgulho de tudo o que aprendi e tudo o que passei nesses primeiro anos, fico muito feliz em perceber que as coisas vão mudando e para melhor. É preciso aprender com o que passou, reconhecer e apreciar, dar valor ao que temos agora e construir sempre o melhor possível. Encho meus olhos de orgulho em cada etapa! Eu nunca pensei em desistir! Mas confesso que sempre que aparece um cliente satisfeito, eu tenho certeza que devo continuar. O meu conselho para quem quer começar é COMECE! Dê o melhor de si, sempre. O máximo que pode acontecer é dar errado e ter que começar de novo”.

Ana Paula Antoniazzi
“Eu faço produtos como caixas, sacolas, porta celular, CNH, RG, passaporte e ainda projetos exclusivos. Comecei há um ano e meio através de uma experimentação, pois eu já tinha os materiais que eram nobres e iriam para o lixo e eu queria reaproveitá-los. É a primeira vez que eu vendo os produtos que eu mesma faço mas não foi difícil começar. A aceitação está sendo legal. Claro que o volume ainda não é satisfatório, mas há um mês me estruturei fisicamente e agora o ateliê está pronto para aumentar a produção. Eu tenho um outro negócio e é dele que obtenho o material para esse projeto. A produção é nas horas vagas, de final de semana ou quando sobra um tempo durante o dia. Não vou desistir, muito pelo contrário, estou no começo de um projeto muito bacana que tende a crescer. Trabalho com sustentabilidade e acredito nisso. Minha dica é fazer sempre o que se gosta e com amor! E é uma rotina gratificante quando se gosta, sem dúvidas”.

Ana Paula Antoniazzi com a sacola produzida de materiais que seriam descartados

Marcos Leandro
“Eu vendo plantas em vasos adaptados, cerâmica e vidro. São peças decorativas para jardins e para dentro de casa.  O forte são os terrários fechados, não há a necessidade de cuidado, só precisam de luz indireta e não é preciso regar. Meu interesse por plantas surgiu há quatro anos. Meu apartamento começou a se transformar numa selva. Fui aumentado o número de vasos e adquirindo experiência com os cuidados. Muita gente que me visitava  passou a pedir para que eu fizesse o mesmo em suas casas e uma amiga me incentivou a criar o ‘Vazin Plantas’. As vendas acontecem pela internet e nas lojas ‘A Garimpeira’ e ‘Paux Design Contemporâneo’. Não acho complicado fazer o próprio produto, na verdade, é uma terapia. Sou jornalista e fotógrafo, as plantas são um hobby que se transformou em  negócio. Com disciplina e estudo, é possível seguir em frente. Ainda não pensei em desistir e o que me faz continuar é a paixão. É muito prazeroso ver o quanto elas se desenvolvem e se transformam. Sempre fico com os vasos durante um tempo antes de vendê-los, além de verificar se a planta está realmente sadia. A dica que eu dou para quem quer começar é: organização, persistência e estudo. É muito importante pesquisar e entender o tipo de produto que você pretende trabalhar. Observar o mercado em que ele está inserido, ver quais são as possibilidades, tentar caminhos diferentes do que se vê por aí.  Eu acho muito bacana ver que as pessoas ficam felizes só em observar o trabalho. As plantas tem esse poder, muita gente fica intrigada com os terrários fechados, procuram entender e pedem explicação a respeito do funcionamento daquele minúsculo ecossistema. Além disso, plantar elimina um pouco do stress do dia a dia, mexer com a terra faz bem. Acredito que o verde nunca vai ser demais”.

Lucas Scarton
“Tenho esse projeto já faz um ano e meio na minha cabeça e fui mexendo aos poucos porque é meu segundo trabalho. Comecei a montar uma oficina, há menos de um ano e disponibilizei os produtos há menos de 4 meses. Eu vendo produtos em couro em madeira e a minha marca é a Scarton Leather and Wood. São caixas de madeira que organizam pulseiras e relógios. Tenho carteiras em diferentes cores, colares com couro e madeira, chaveiros, guia para cachorros, porta-copo dupla face e porta-treco. Ainda não é a renda principal. Só consigo fazer os produtos após às 18h, mas penso sim em transformar em renda principal. O meu objetivo é oferecer cada vez mais produtos. também estou entrando com uma linha de produtos comestíveis, como cachaça e pimenta em conserva, fortalecendo ainda mais a marca”.

Lucas Scarton criou sua própria marca, a Scarton Leather and Wood

Carol Brito
“Comecei a fazer doces, na época da faculdade, para complementar a renda, em 2004. Na época, fazia Jornalismo na USC. Eu não sabia fazer nada, nem feijão! Nunca me interessei por isso, mas decidi fazer esses docinhos para ganhar um dinheiro. Comprei umas forminhas e fazia bombons recheados de brigadeiro, os mais simples, porque eu não sabia fazer nada. Aí comecei a fazer algumas receitas da minha família, que sempre gostou de cozinhar. Quando terminei a faculdade, comecei a trabalhar na minha área e não tinha coragem de desistir. Mas aí comecei a fazer doces e levar no meu trabalho. Tudo foi dando muito certo e agora estou montando um espaço físico, na minha casa, para investir cada vez mais no Feito com Afeto, minha marca. Em fevereiro, saí do meu antigo emprego e decidi que iria apostar nesta vontade. Comecei a fazer um curso de gastronomia. Em breve, vou ser MEI para estar cada vez mais empreendendo no meu negócio da forma correta. Para quem tem esse desejo, de vender os próprios produtos, eu digo que não é fácil. Não vou ser hipócrita e falar que é só largar tudo e correr atrás do sonho. Precisa de dinheiro. É um investimento. Mas a dica que eu dou é para se organizar e economizar, para conseguir o dinheiro e seguir em frente”.

Carol Brito decidiu largar a profissão para fazer doces

Breno Gomes e Kelvyn Almeida
“Nós estudamos juntos e, quando nos formamos, até chegamos a nos separar por um tempo, mas acabamos voltando a amizade a partir desta ideia que surgiu por acaso. Eu fiz a faculdade de design e tive uma disciplina chamada ‘materiais e produtos’. Aí o professor deu o desafio de produzirmos algo de madeira. Todo mundo tentou e ninguém conseguiu, inclusive eu. Mas eu continuei tentando, mesmo quando a disciplina acabou. Pesquisei muito na Internet e achei os óculos de madeira. Depois de um tempo, produzi um protótipo do nosso produto e mostrei para o Breno que faz administração. Propus que começássemos a produzir algo semelhante e que estudássemos a técnica, e ele topou. Como eu fazia estágio e tinha a faculdade, e ele também trabalhava e estudava, tínhamos poucas horas por dia para produzirmos. Ficamos das 23h às 3h, todos os dias, durante um ano. Não foi fácil e ficamos muito cansados. No começo, foi muito difícil trabalhar com a madeira, pois ela quebrava facilmente e nada estava dando certo. Passamos por muitas mudanças para podermos estar onde estamos hoje com a Allfenas. Fazemos óculos de sol, relógios e carteiras a partir de madeira de descarte, desde poltronas velhas, armários quebrados e outros produtos que iriam ser queimados”.

Formalizando o seu empreendimento

Todas as pessoas que vendem produtos e prestam serviços de maneira informal tem a possibilidade de formalizar o negócio. Isso se deve à Lei Complementar Complementar 128/2008 com a criação do Micro Empreendedor Individual (MEI). Para quem quer ter o próprio negócio como renda principal, se tornar MEI é uma ótima oportunidade.

Segundo o contador, Marcelo Zanqueta, o MEI se caracteriza como pessoa física que trabalha por conta própria e se legaliza como pequeno empresário. “O faturamento do MEI, não deve ultrapassar R$ 60.000,00 por ano. Mas algumas atividades não são permitidas, como por exemplo, o serviço de tradução internacional”, diz.

O processo para se tornar microempreendedor é simples e ocorre de forma online. Basta acessar o Portal do Empreendedor. Também é possível fazer o ingresso no MEI por meio dos Escritórios de Contabilidade enquadrados no Simples Nacional. A formalização ocorre de maneira imediata e sem custo.

Vantagens de ser Micro Empreendedor Individual

Se você associa a formalização do negócio com altas taxas de impostos, esqueça essa ideia! Se tornar MEI tem como um dos principais benefícios a menor carga tributária em relação a outros tipos de empresas.

“A título de INSS, paga-se, atualmente, o valor de R$46,85, independentemente do faturamento, desde que não exceda o montante R$60 mil por ano. Caso seja um comércio, acrescenta-se o valor de R$1 a título de ICMS. Já a título de ISS, a acrescenta-se o valor de R$5, se for prestador de serviços, chegando até R$52,85 em alguns casos”, explica Marcelo.

Outras vantagens:

  • Cobertura previdenciária (auxílio doença, licença maternidade, aposentadoria por idade)
  • Não paga taxas de abertura;
  • Menor custo por funcionário;
  • Processo de abertura desburocratizado;
  • Apoio Técnico do Sebrae

Para se beneficiar, o MEI deve atender algumas exigências como:

  • Pagamento mensal do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS);
  • Obtenção de alvará de funcionamento;
  • Relatório mensal das receitas brutas;
  • Declaração anual simplificada;
  • Pagamento de salário e demais encargos pertinentes à categoria (No caso de contratação de funcionário)
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