Há algumas semanas atrás tive o privilégio de visitar a cidade de Las Vegas, localizada no estado americano de Nevada, na região do deserto de Mojave. A Região Metropolitana de Las Vegas possui cerca de dois milhões de habitantes.

Creio que todo mundo já teve a oportunidade de ver, se não pessoalmente, ao menos pela televisão os grandes atrativos desta cidade: cassinos, palcos de lutas de boxe e MMA, casamentos nababescos, shows, dentre outros. Ainda que estas atrações sejam acompanhadas de adjetivos superlativos a respeito desta urbe, jamais será possível compreender realmente o glamour desta cidade do sudoeste americano. É conhecida como a Capital Mundial do Entretenimento.

Seu sistema viário é muito bom, com largas avenidas. Durante o dia, o tráfego é absolutamente tranquilo; de noite, apresenta alguma lentidão, principalmente a principal artéria, a Las Vegas Boulevard, mais conhecida como Strip. Não há estacionamento nas vias; ele ocorre sempre no interior das quadras. Os veículos são um caso a parte. São enormes e luxuosos. Há também um monotrilho. O aeroporto McCarran é o oitavo mais movimentado dos Estados Unidos.

Na Strip se encontram cassinos dos mais opulentos e imponentes do mundo, tais como o Bellagio, Caesars Palace, Excalibur, Luxor, Mandalay Bay, MGM Grand, Monte Carlo, New York, Paris, Stratosphere, Venetian, Treasure Island, Hard Rock, dentre muitos outros. À noite a cidade vira um grandiosíssimo cenário de luzes, neons e sons, com painéis multicoloridos, procurando cada um atrair ainda mais a atenção e o interesse das pessoas.

A Strip e a região de Old Town Las Vegas são locais onde estão concentrados os primeiros hotéis e cassinos e são as duas regiões mais visitadas da cidade, onde se concentram as principais atrações turísticas de Las Vegas.

Na cidade, embora exista uma multidão de turistas que se desloca principalmente pela Strip, os lugares onde tudo acontece é no interior dos cassinos e hotéis. Ao adentrar em cada um deles tem-se a sensação de ingressar em um mundo de contos de fadas, tal é a suntuosidade, o luxo, a beleza das esculturas, pisos, lustres. Os cassinos dispõem de shopping centers com lojas das grifes mais badaladas do planeta.

Em alguns cassinos, o teto é produzido de tal forma que passa a sensação de estar sob o real firmamento, tamanha é a fidedignidade da obra de arte. No cassino Paris existem as réplicas da torre Eiffel e o Arco do Triunfo. A torre, em função do seu tamanho, fica encravada na construção, de forma que a sua base compartilha o ambiente do cassino. Uma arquitetura deslumbrante. No Paris, por exemplo, pode-se assistir a Billy Kraus, com o seu sensacional Rock’n’Roll Piano Show, no pub Napoleon’s. Incrível!

No cassino Venetian, por sua vez, foram construídos canais, como na cidade italiana, por onde circulam gôndolas, conduzidas por gondoleiros cantores, criando um ambiente extraordinário de romantismo e graciosidade.

As Fontes do Bellagio são uma das maiores atrações da Strip, se constituindo um maravilhoso espetáculo luminoso, envolvendo as fontes do seu lago artificial, em performances com inúmeros efeitos audiovisuais.

Como não falar do Hotel & Cassino Hard Rock, verdadeiro museu do rock. Cada um dos apartamentos tem sua porta e seu interior decorados com figuras exponenciais do rock. Nos corredores e nos diversos ambientes, estão expostos objetos de grandes cantores do rock mundial. São guitarras, baterias, roupas, discos, sapatos, de integrantes do Queen, Axl Rose, Steve Smith, Madonna, Tina Turner, Spice Girls, Sex Pistols, Mariah Carey, Prince, Phil Collen, Elvis Presley e tantos outros. Lá só se respira rock.

No entanto, além do sonho, de maneira paralela, há outra realidade, quase imperceptível diante de um cenário de devaneios, divertimentos e lazer. O lado trash de Las Vegas. Diante de tanta opulência, pode-se encontrar, na Strip, alguns mendigos sentados ou dormindo nas calçadas. Há nelas, também, garotas quase nuas e pessoas vestidas de super heróis esperando para uma selfie com turistas interessados, ao preço de US$2.

Mas, creio que o que mais impressiona, no interior dos cassinos, são as pessoas entregues ao jogo, com a sempre perdurável esperança de ganhar dinheiro. Sabe-se, a priori, que nenhum cassino é programado para perder. Pelo contrário, devem auferir lucros vultosos, onde alguns ganham e muitos perdem tudo.

Enfim, diante de cenários que extrapolam o imaginário, amalgamados por ofertas de oportunidades de consumismo extremo, não há como não sentir o coração apertado, na esperança utópica de que todo esse rio caudaloso de dinheiro gasto nos cassinos, hotéis e shopping centers, poderia resgatar da pobreza absoluta grande parte da população mundial. Não é a toa que Las Vegas é também conhecida como a Cidade do Pecado.

Pode-se intuir Vegas como a síntese do pecado social, preconizado por João Paulo II, em sua encíclica sobre a justiça social (Sollicitudo Rei Socialis). Devemos fazer mais do que mudar “o sistema”, devemos mudar a nós mesmos, para tornar o mundo mais justo e fraterno, com maior partilha de bens.