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Nada de nomes conhecidos mundialmente ou grandes marcas – alguns moradores da cidade gostam mesmo é das cervejas que produzem em suas casas, as chamadas artesanais. Apesar de o processo demorar vários dias, eles garantem que tudo é muito prazeroso e gratificante.

Geralmente, as produções são mais restritas, sendo fabricados poucos litros por vez, o que garante a exclusividade de cada uma. Para sabermos mais sobre a rotina de produção, o trabalho e o projeto de cada um, a equipe do Social Bauru conversou com alguns moradores que são verdadeiros ‘experts’ no assunto.

Insatisfeitos com o produto que existe no mercado, eles optaram por fazer algo que você a cara deles. O que, diga-se de passagem, foi uma ótima ideia! Conheça mais alguns moradores que se aventuraram na produção da cerveja artesanal:

Tatiane Losnak
O desejo já era antigo, mas o pontapé inicial só aconteceu há um ano, quando o marido de Tatiane Losnak ganhou um livro de receitas de cervejas. Foi a partir disso que o casal começou a produzir, finalmente, as tão esperadas cervejas artesanais. “As primeiras brassagens fizemos em um fogão que temos no quintal de nossa casa e fermentamos na nossa geladeira e adega, mas hoje construímos um espaço exclusivamente para isso”, relembra. Bancária e com uma rotina corrida, Tatiane não deixa que isso atrapalhe o hobby e nem que a impeça de produzir novas receitas. Porém, apesar de hoje ser uma atividade de lazer, Tatiane não descarta a possibilidade de ampliar os negócios e tornar algo comercial. “Gostaria muito que isso fosse algo maior. Mas ainda tenho muito o que aprender e, financeiramente, por enquanto, não tenho condições de entrar no mercado”, conta. Apaixonada por marcas de fora, Tatiane encara a rotina de sempre experimentar novos sabores como um estudo afim de aprimorar sua produção. “Sempre gostei de provar vários rótulos e pensei que, quando começasse produzir, diminuiria meu consumo. Porém, cresceu a necessidade de conhecimento de estilo, análise e comparação de qualidade para melhorar nossa produção. Apesar de sempre ter consumido muita cerveja importada, hoje, felizmente, temos muitos rótulos nacionais de excelente qualidade. O que ainda precisa melhorar no Brasil é o preço que chega ao consumidor, diferente do que vemos lá fora”, conta. Neste um ano de produção, a bancária já fez cerca de 13 tipos de diferentes de cerveja e teve a oportunidade de conhecer muita gente do ramo aqui em nossa cidade. “Confesso que desconhecia a existência de tantos cervejeiros em Bauru. Nos encontramos regularmente e provamos as cervejas dos outros, trocamos dicas e conhecimento. Com certeza, isso não tem preço!”.

Lealdo Jr. Biga
Lealdo tem 31 anos, é professor de educação física e cervejeiro da ‘Rural Monster’. O prazer em fazer cerveja artesanal começou em 2007, quando ele e seu irmão finalizaram a montagem dos equipamentos e conseguiram produção a primeira cerveja. Atualmente, eles produzem na chácara dos pais e cada processo dura, em média, cerca de sete horas. “Por enquanto, o produto é apenas um hobby, mas ministro cursos de produção de cerveja artesanal em Bauru e região. Desde que comecei, já ensinei mais de 230 pessoas a fazer cerveja em casa. Pretendo me profissionalizar um dia mas, por enquanto, tenho um grande fator que me impede que é o nosso próprio governo, taxando a cerveja especial em cerca de 60%”, explica. Até hoje, Lealdo já produziu 60 tipos diferentes de cervejas e, para chegar a este número, o bauruense mantém uma rotina de trabalho e se divide entre as aulas de educação física, os cursos que ministra e a produção de seu material de estudo – muito mais que consumo. “Desde que comecei a fazer cerveja artesanal, a mudança mais significativa que aconteceu foi o consumo consciente. A cerveja para mim é parte de uma experiência gastronômica, procuro por novos aromas, sabores e combinações, sempre em busca de qualidade e não de quantidade. Carregamos no meio cervejeiro o lema do ‘beba menos, beba melhor’. Consumo, em média, cinco garrafas de cerveja por semana. Já fiz viagens para conhecer novas cervejas e também novos cervejeiros. Recentemente, criei a ‘Confraria do 014’ (grupo que se encontra mensalmente para degustar cervejas e trocar experiências) e já contamos com mais de 50 confrades em Bauru e região”, afirma.

Ricardo Domiciano
Ricardo também é um dos membros da ‘Confraria do 014’ e um dos produtores de cerveja artesanal na cidade. Sua paixão pelo produto começou em 2013, quando morou na Irlanda e, com a oportunidade de conhecer outros países da Europa, o contato com muitos estilos de cerveja o fez apaixonar-se. Assim que retornou ao Brasil, uma das primeiras coisas que fez foi comprar o kit ‘homebrew’ e começou a estudar o assunto. Como, atualmente, tem um trabalho mais flexível, Ricardo tem a possibilidade de acompanhar todos os processos de perto, além de contar sempre com a ajuda de um amigo. “O processo de cozimento dos grãos, que extrai os açúcares para posterior fermentação, demora de 5 a 10 horas, dependendo de equipamento, experiência etc. A fermentação leva cerca de duas semanas e a maturação dura, aproximadamente, mais duas semanas. Pode-se dizer que um mês é o mínimo para ter uma cerveja de qualidade. As macro cervejarias fazem cervejas ‘tipo pilsen’ em três dias, através de processos industriais e uso de produtos químicos”, explica. Até hoje, Ricardo já produziu cerca de 12 levas de cervejas bem diferentes das que estão no mercado atualmente. “Salvo raríssimas exceções, as ‘cervejas’ encontradas em maior quantidade nos supermercados são péssimas em termos de qualidade, sabor e aroma. Um grande exemplo é um dos sócios da AB-Inbev, Jorge Paulo Lemann, que não bebe cerveja. Em contrapartida, felizmente tem aumentado muito a disponibilidade de ‘cervejas especiais’ no Brasil. Este mercado está em alta e a tendência é continuar crescendo”, afirma.

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“A cerveja para mim é parte de uma experiência gastronômica, procuro por novos aromas, sabores e combinações, sempre em busca de qualidade e não de quantidade. Carregamos no meio cervejeiro o lema do ‘beba menos, beba melhor'”

 
 

Marcos Toledo, Guilherme Fainer e João Vítor Astolfi
Estes são os proprietários da Sir Mustache, que foi criada no final de 2014. “Inicialmente, fazíamos na casa do Guilherme. Mas, hoje em dia ,passamos a produzir em um salão cedido pela mãe do Guilherme. O processo é um pouco demorado, desde a moagem dos grãos até o momento em que poderá tomar a cerveja, o tempo de espera pode chegar a mais de 30 dias”, contam. Como os os três terem profissões distintas – um advogado, comerciante e o outro é corretor de imóveis – e os horários disponíveis são raros, as produções sempre acontecem, preferencialmente, aos finais de semana. “Durante a semana, geralmente, discutimos receitas e fazemos o controle da cerveja que está em fase de fermentação ou carbonatação”. Assim como os outros entrevistados, os três consideram que o país tem boas opções de cervejas, para todos os gostos e bolsos, mas sugerem novas experimentações. “Ampliem os horizontes experimentando os diversos tipos de cervejas existentes – inclusive a nossa!”.

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