Fotógrafas de Bauru e região

Seja casamentos, crianças ou natureza, muitas mulheres estão se colocando atrás da objetiva para capturar momentos. Aqui em Bauru e região não é diferente. Temos diversas profissionais que estão se dedicando à arte de fotografar.

Subjetiva, a fotografia carrega em si o olhar e as experiências de cada fotógrafa. Por isso, uma nunca é igual à outra. Com o objetivo de apresentar a pluralidade, mesmo que reduzidamente, de fotógrafas bauruenses, fizemos o perfil de sete profissionais. Confira!

Lara Pires

“Sou fotógrafa há três anos. Descobri a paixão quando era pré-adolescente com a minha primeira câmera, daqueles primeiros modelos digitais. Fotografava tudo, desde as minhas amigas, família, até os insetos no jardim de casa. Decidi me dedicar em tempo integral à fotografia há pouco tempo. Antes, fazia estágio em jornalismo, área na qual estou me formando. Mas pretendo continuar trabalhando com fotografia, sim! Eu curto muito retratos femininos. Acredito que, de certa forma, fotografar mulheres é uma forma de empoderá-las. Faz com que eu me desligue do resto do universo. É um processo criativo que me liberta. Acho que ser mulher em qualquer profissão que não seja ligada diretamente às coisas consideradas ‘femininas’ é um desafio. No mercado fotográfico não é diferente. Durante a história da fotografia, temos o exemplo da Gerda Taro, pioneira no fotojornalismo de guerra que, por ironia, foi namorada do Robert Capa, mas a autoria de muitas de suas fotos são atribuídas ao fotógrafo. Outro exemplo: Vivian Maier, uma baita fotógrafa que vivia com a câmera pendurada no pescoço passou a vida trabalhando como babá e a sua obra só foi descoberta postumamente. Ainda hoje, o mercado fotográfico ainda é dominado por homens. É só observar na própria cidade de Bauru, quantos fotógrafos de casamento, por exemplo, estão atuando e quantas mulheres conseguem sobreviver nessa área. Eu vejo que muitos espaços que deveriam ser ocupados por nós, fotógrafas, são dominados por eles, que muitas vezes até se apropriam de um discurso feminista, sem ter ideia do que é ser mulher no dia a dia, das lutas que enfrentamos e da cobrança sobre sempre estar dentro dos padrões estabelecidos. Quero deixar claro que o problema não são os fotógrafos. É o próprio machismo, que impede que as mulheres enxerguem que elas também podem, que há espaço para todo mundo, que elas são sim boas o suficiente”.

Taís Ribeiro

“Sou especializada em fotografia de gestante e newborn há sete anos. Tudo começou em 2005 quando eu morava em Botucatu e fui convidada para trabalhar para um empresário nesse ramo. Desde então, descobri que poderíamos, com um simples click, congelar o tempo e relembrar para sempre daquilo que a mente um dia irá esquecer. Quando cheguei em Bauru, em 2010, eu estava com um filho de apenas quatro meses e comecei a fotografá-lo. Publiquei nas redes sociais sem nenhuma pretensão, somente para exibi-lo  mesmo! (risos) Foi nesse momento que as pessoas começaram a perguntar quanto eu cobrava para fazer fotos iguais aquelas. Ali, descobri que poderia viver dessa profissão só que, dessa vez, trabalhando para mim. Estou muito feliz e realizada. A fotografia atinge diversas atividades, mas a área que mais me identifiquei é a infantil e todas as outras relacionadas a ela. É a forma que ela nos aproxima das pessoas, de suas histórias, dos seus sonhos e principalmente de suas  emoções. Fotografar é a arte de falar com o silêncio, parar o tempo e eternizar. O papel da mulher hoje na sociedade é de quebrar paradigmas e lutar pelo seu espaço e seus direitos, indiferente da sua profissão. Apesar de ser uma área dominada por homens, as mulheres têm criado uma relação cada vez mais íntima com as câmeras fotográficas, dando uma leveza e um olhar mais doce para a fotografia. Tenho recebido, pouco a pouco, o reconhecimento merecido por isso. Felizmente sou respeitada e admirada pelo meu trabalho, só tenho a agradecer a Deus pelo dom que ele me deu”.

Nádia Maria

“Fotografo desde os sete anos, mas trabalho profissionalmente há 15 anos. Comecei fotografando minhas bonecas e fui descobrindo a fotografia como uma forma de expressão e também de autoconhecimento. Fui me envolvendo cada vez mais com ela, estudando, experimentando. Cursei fotografia pelo Senac, fiz alguns outros cursos, e comecei a apresentar mais meu trabalho aos 17 anos. A partir daí, as coisas foram acontecendo e as oportunidades foram surgindo. Até hoje tenho uma certa dificuldade em relacionar ela com profissão, mas comecei a desenvolver trabalhos (contratados) aos 18 anos. Sempre selecionando bem, para não perder meu processo de criação e identidade na fotografia. Na verdade, aconteceu que eu comecei a ser paga por uma coisa que me alimenta, que faz com que eu me sinta viva. Então é mais que uma profissão, é um retorno ao que eu dou e faço com o coração, um retorno ao que faz eu sentir a minha presença no mundo. Pretendo continuar na profissão para sempre. Eu busco sempre pela poesia, eu construo as minhas imagens como um poema. Com isso, eu consigo expressar meus sentimentos, pensamentos, apresentar visões, desde o mais profundo até a superfície. O que eu mais gosto na fotografia é o desdobramento do olhar. Dentro desse universo da fotografia, da arte (que é o meu), acredito que qualquer limitação atrapalha o processo criativo da própria vida. Dentro desse universo é preciso liberdade em permitir que os outros sejam o que estão sendo (com respeito à convivência e ao limite do próximo sempre). A fotografia é um universo com infinitos universos dentro, e mesmo o negativo tem sua importância na arte. É através dela que nos redimimos e evoluímos, na minha opinião, então acho que encaro isso diferente. Na minha área pelo menos o que eu vejo, com meus amigos inclusive, é que não existe uma competição por sexo, cor, mas sim por competência, é mais uma questão de você com você mesmo, de se colocar inteiro no que você faz, vive, permitir se expressar, se descobrir, construir. Isso é o que mais me cerca, o que mais faz parte do meu universo hoje”.

Bianca Miraglia

“Com oito anos, ganhei minha primeira câmera, uma Yashica, e comecei a me arriscar. Acho que desde quando ganhei minha primeira câmera, minha história com a fotografia começou. Meu primeiro job de fotografia foi em 2005. Foi um evento de música em São Paulo que durou quatro dias. A partir daí, a demanda foi crescendo naturalmente e eu fui entendendo melhor com que tipo de fotografia eu gostaria de trabalhar. Foi aí que comecei a me identificar com ensaios de família, de casais e, consequentemente, com casamentos. Amo o que faço. Gosto de fotografar pessoas; sentimento traduzido em imagem; o espontâneo na relação entre as pessoas e a vida. Gosto do fato dela ser atemporal e mágica exatamente por este motivo. Uma imagem que te leva pra outro tempo, pra forma como você se sentia naquela situação, com aquela pessoa que já se foi. Que te traz sorriso, uma lágrima, um coração que vem à boca, isso não tem preço! Fora que a fotografia não precisa de língua, credo ou cor, ela é simples e comunica absurdamente aos quatro ventos desse mundo. É uma forma de expressar o que, na minha percepção, é belo. Também é uma forma de comunicar amor pra quem me rodeia. Amo dar fotografia de presente por exemplo. Sobre o machismo, ele existe sim; nossa área é mais uma que sofre desse preconceito bobo e sem fundamento. Já senti por várias vezes isso. No universo do casamento por exemplo, mulher é cerimonialista. Aqui no interior, a preferência pelos caras é evidente. Nos grandes centros, a coisa já muda um pouco de figura, mas existe também. Eu acho que a gente caminha pra que esse cenário mude em um futuro próximo”.

Nathalia Vialogo

“Comecei a fotografar no ano passado, acompanhando meu marido em casamentos e pré-wedding. Desde criança eu gostava de sair tirando fotos pela casa, gastava o rolo inteiro da máquina dos meus pais com fotos da minha cachorra Cindy! (risos). Mas nunca pensei em trabalhar com a fotografia. Foi sempre uma coisa que admirava demais e, para ajudar, casei com um fotógrafo que é apaixonante. No ano passado já o acompanhava e fui adquirindo gosto demais pela fotografia, mas sempre quis ter um projeto com ensaios de família e gestantes. Daí criei o Terracota e meu marido foi o maior incentivador, tanto é que ele tá sempre comigo! Um pelo outro sempre! Espero poder trabalhar sempre com isso, pois nunca havia me encontrado em algo como aconteceu através da fotografia. Gosto muito de ensaios de gestante, ensaios de família e festa infantil. O que mais gosto da fotografia, é onde ela pode te levar através de uma lente. Eu me descobri fotógrafa no dia que peguei a câmera e registrei meus sobrinhos, aquele momento não volta mais, eles vão crescer, mas eu sempre terei aquela foto. A fotografia tem esse poder, de guardar um tesouro pra sempre dentro dela. Fotografar é fazer o que eu amo, é o olhar que cada um coloca no que vê. É uma arte. Meu marido sempre diz: ‘fotografia é você escrever através de uma imagem, contar história, se doar de verdade’. Me sinto realizada hoje, podendo exercer uma profissão que sempre achei linda. Acho que o machismo rola mais na fotografia de casamento, mas também não acho que seja muito. Na parte infantil, por exemplo, as mulheres são maioria. Acho que hoje esse cenário da fotografia está ficando bem misto, com espaço para todo mundo. O importante é procurar sempre dar o seu melhor, daí não interessa se é homem ou mulher, e sim se você é bom no que faz”.

Camilla Resta

“Fotografo profissionalmente desde 2009. Minha história com a fotografia começou de uma forma surpreendente. Nunca me imaginei como fotógrafa. Sempre corri para outras áreas, fiz faculdade de Tradução e Interpretação, Administração e pensei até em Veterinária. Foi quando, um dia comprei, uma câmera super simples para registrar momentos com amigos. Num belo dia de chuva, fotografei as gotinhas na janela da empresa de onde eu trabalhava. Quando baixei a foto no computador, percebi que em cada gotinha daquela, havia o reflexo (de ponta cabeça) do prédio amarelo que havia na rua da frente. Aquilo simplesmente me encantou e, desde então, comecei a buscar aquilo que só se vê com o coração, em todas as coisas, e me apaixonei por este universo chamado fotografia. À medida que fui fotografando, fui percebendo que minha paixão era contar histórias das pessoas. Conhecer pessoas, fazer parte da vida delas. Eu trabalhava em uma empresa em tempo integral e comecei a fotografar crianças e festas infantis aos finais de semana. Quando vi que eu tinha pouquíssimo tempo para estar com as pessoas que procuravam meu trabalho, resolvi largar meu emprego e focar só em fotografia, que afinal, é o que eu mais amo fazer. Saí da empresa em que eu trabalhava e montei um escritório para me dedicar 100% à minha paixão. Se eu pretendo continuar trabalhando no ramo? Sim! Até enquanto eu viver :). Amo fotografar pessoas. E as histórias das pessoas. Além de conhecer pessoas e lugares incríveis, amo o poder que a fotografia tem de parar o tempo. De podermos olhar para uma foto de anos atrás e lembrar exatamente do que sentimos, lembrar de músicas, cheiros, da vida. É fantástico. Fotografar, pra mim, significa TROCA. Porque quando eu fotografo as pessoas, eu faço parte da vida delas para sempre, e elas fazem parte da minha.  Eu não percebo machismo não. Inclusive, todos ficam muito encantados de ver mulheres trabalhando nesta área, com admiração. Nunca sofri nenhum tipo de preconceito em relação a ser mulher e fotógrafa. Somos muito respeitadas.”

Camila Pasin

“Eu comprei a minha câmera fotográfica em 2013 e, desde então, a paixão pela fotografia só aumentou. Comecei tirando fotos da família, lugares, viagens, eventos e, depois, a trabalhar profissionalmente com isso. Eu cursei Jornalismo na faculdade e a editoria que mais gostava era a de cultura. Sempre gostei muito de frequentar espaços culturais, exposições, cinema. E uma das coisas que mais me chamava atenção nos filmes era a fotografia, as cores e as composições. Assim como nos eventos, ficava criando na minha cabeça enquadramentos e ângulos que ficariam legais para uma foto. No segundo ano da faculdade, comprei a minha câmera e, desde então, ela virou parte de mim. Eu comecei fotografando shows e eventos de forma colaborativa. E, assim, fui construindo um portfólio. Meu projeto de conclusão de curso também envolveu a fotografia, fiz um livro de fotorreportagem que retratava a desigualdade social no contexto de moradias. Foi muito importante para meu crescimento pessoal e contato com a fotografia social, muito diferente do que eu havia feito até então. Ao fim da faculdade, criei uma página com as minhas fotografias e comecei a divulgar focando no ramo de famílias e crianças. Gosto muito de trabalhar com esse público! E pretendo continuar no ramo sim! Como hobbie, eu gosto de fotografar a natureza. Flores, pôr do sol, o mar, animais. Traz uma paz muito grande. Também gosto muito de fotografar crianças. O que mais me encanta na fotografia é a capacidade de congelar momentos e de despertar sentimentos e lembranças nas pessoas. Fotografar significa se expressar. Por meio de técnicas e de estilos de cada fotógrafo, é possível demonstrar sentimentos e transmiti-los a outras pessoas. Mas o mais incrível é que o sentimento do fotógrafo não será o mesmo do receptor, que tem outra bagagem cultural e histórica. Existe machismo na fotografia. É só pensarmos nos fotógrafos de destaque, tanto os que estão na mídia atualmente quanto os ganharam visibilidade histórica. A grande maioria são homens. Mas existem muitas mulheres que fizeram trabalhos incríveis e não ganharam tanto destaque talvez só por serem mulheres. É uma barreira a mais que precisamos enfrentar”.

Paula Machado

“O pensamento visual me acompanha desde cedo, antes mesmo da câmera. Meus pais investiam em arte e tinham uma casa repleta de quadros. Parecia uma galeria de arte. Antes de dormir ficava contando quantas pinceladas cada quadro tinha. Um deles, tenho até hoje, está em um dos quartos de casa. Já a primeira câmera veio cedo. Com 13 ou 14 anos comecei a brincar com fotografia. Aos 18, comecei a me interessar de forma mais profunda. Fiz um curso e, a partir daí, comecei a dar cursos de fotografia para a terceira idade. Depois veio o trabalho com fotografia. Histórias não se começam. Não sei até que ponto a gente escolhe ou é escolhido pela coisa. Só aceitei e estou aceitando viver e pensar a fotografia. Não há um início bem marcado. Não acredito que se vira, de um dia para o outro. É um vir a ser contínuo. Ainda estudo, revejo o que faço, repenso meus métodos. A fotografia vem e vai, o movimento de olhar o mundo não. Fico mais tranquila sabendo disso. Não sei o que mais gosto de fotografar. Tem tanta coisa interessante no mundo. Sou muito curiosa e pode ser que daqui dez anos esteja fazendo algo inteiramente diferente do que faço hoje. Muitas das coisas que mais gosto não são passíveis de serem fotografadas. Já tentei e não deu certo… contemplo e fico feliz sem ter a necessidade de ter aquilo para mim. Já passei dessa fase de querer possuir o que não é possível. O que mais gosto na fotografia é a possibilidade do não fotografar quando a coisa não cabe dentro dela. Fotografar é usar um aparelho pesado e programado para converter ondas eletromagnéticas em pixel, na tentativa de fixar em uma superfície, algo que passa muito longe da experiência real. Prefiro eternizar essa experiência hoje com minha memória, com minha presença de espírito, com meu olho inteiro ali na coisa que está à minha frente, sem intermediários. Acho a fotografia legal, mas não é a coisa mais incrível já inventada. Cara, só sei como é ser mulher. E, sendo mulher, diferenças existem sim porque são corpos distintos, mecanismos distintos de funcionamento e subjetivação. O que há é muita gente querendo pular etapas. Querem visibilidade sem muito esforço, querem resultado muito rápido. Não respeitam o tempo da própria natureza, do ir e vir. Você já pensou que não há como acelerar o movimento de uma onda do mar? Ou mudar a velocidade do ciclo solar?”.

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