A roupa sempre foi mais do que uma simples forma de proteção do corpo. Uma simples peça pode expressar personalidade e ideias. Além de tudo, as roupas também têm o objetivo de serem democráticas e nos fazerem sentir bem.

Contudo, há dez anos, a moda ainda passava por muito altos e baixos quando o assunto era plus size. Hoje, vemos uma mercado começando a se abrir mas ainda preso a amarras de preconceitos e dificuldades.

Roupa é roupa

Vamos parar por um segundo e pensar: o que é uma roupa plus size? Afinal, roupa é roupa, não é mesmo? Não importa se você usa 34 ou 46, ninguém deveria ser rotulado pelo seu manequim. Contudo, ainda vivemos presos a essa diferenciação dentro da moda.

E já que ela existe, vamos esclarecer algumas coisas. “Oficialmente”, a moda plus size começa a partir do manequim 46, porém, muitas marcas incluem o tamanho 44 e usam modelos 40 como manequim. Além dessa confusão dentro da moda plus, muitos também a associam ao peso.

Na verdade, as roupas plus size têm relação com as medidas. É super comum uma pessoa usar uma camisa P, mas ter quadris largos e, por isso, usar calças tamanho 46.

Outro problema que a indústria da moda passa é que as roupas não são padronizadas. Você já passou pela situação de, em uma loja vestir uma calça 38, mas, em outra loja, usar a mesma calça tamanho 40? Isso acontece, porque a legislação brasileira não obriga o uso de formas padronizadas para as marcas que confeccionam roupas.

Isadora Venturini é jornalista de Bauru e vive esse problema com as roupas.

“Mulheres brasileiras, a maioria pelo menos, tem curvas, bunda e quadril, não temos a mesma estrutura do corpo das chinesas, americanas e por aí vai”, ela afirma.

E ainda questiona os problema com as diferenças de numeração, já que, oficialmente, usa 44 mas já passou por poucas e boas para encontrar roupas.

“Cada loja que eu vou é uma numeração, inclusive, estou usando uma calça agora número 42, então me pergunto, sou realmente plus size? Será que todas as mulheres são realmente plus size? Ou a indústria da moda nos fez acreditar que somos?”, indaga.

Seu manequim não te define

Palavras não te definem, muito menos um número na etiqueta da roupa! O que temos que ter em mente é saber evitar denominações e preconceitos. Portanto, não aponte o dedo para uma pessoa – conhecida ou não – e a rotule como “plus” ou “gorda”.

“Nem todas sem aceitam do jeito que são. Todas sabem o número que veste, todas sabem o que fica bom ou não no corpo. Não cabe a você determinar isso por nós. O corpo da mulher plus é tão lindo quanto da mulher magra, da mulher sarada, mas se você não gosta e tem preconceito, fique quieto”, comenta Isadora.

O preconceito contra o corpo existe há muito tempo, contudo, com o movimento de empoderamento feminino tomando força, as pessoas estão mudado a forma de pensar.

Segundo a jornalista e blogueira Paula Bastos, a moda plus se desenvolveu muito nos último anos. Novas marcas surgiram e mais variedades de tamanhos e modelos nasceram. Contudo, o fim do preconceito contra a moda ainda anda a passos lentos.

“Muitos acham impossível uma pessoa gorda ser bem vestida ou estar bem apresentada. A sociedade ainda tem essa visão muito tóxica com o gordo e isso afeta a moda plus size”, ela afirma.

Nos últimos 10 anos, a moda plus vem se desenvolvendo bastante, melhorou e surgiu muitas marcas. Antes, a gente não tinha o tamanho de variedade que a gente tem hoje.

A moda plus e o mercado

Nada melhor para entender a moda plus do que olhar diretamente para ela. Fernanda Laborda é bauruense e tem uma loja especializada em moda plus.

Dentro do mercado há um ano e meio, ela entendeu como a moda plus size vem crescendo. Conhecendo os novos cortes, vestimentas e caimentos das roupas plus, Fernanda quis passar suas experiências positivas para outras mulheres de Bauru.

“Eu achei que as mulheres que tem dificuldade de achar a roupa iam consumir, mas ainda tem muito preconceito com a roupa plus size. Vejo um movimento muito positivo de aceitação, da mulher real, mas no dia a dia e na prática, é muito difícil a mulher se assumir plus size”, ela conta.

Felizmente, Fernanda vê o movimento crescendo, mas ainda sente falta de algo: a união de todas as roupas! Da mesma forma como é fácil encontrar calças tamanho 38 em lojas comuns, também deveria ser mais fácil encontrar calças 48.

Chega de separar roupas “normais” de roupas plus size. Roupa é roupa!

“A variedade de produto tem aumentado muito, mas não é fácil encontrar. Ainda não é democrática, mas acredito que ela vai caminhar para isso”, afirma.

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