“Instante decisivo”. Esse é um dos conceitos mais conhecidos e divulgados no mundo da fotografia. Criado em 1952 por Henri Cartier-Bresson, fotógrafo francês, o instante decisivo se refere ao ato de capturar uma imagem de um momento único em que elementos harmônicos transmitem a situação presenciada pelo fotógrafo.

Combinando luz, ângulo, profundidade e enquadramento, fotógrafos conseguem transformar esses momentos em arte. Neste 8 de janeiro, Dia Nacional do Fotógrafo, convidamos oito fotógrafos de Bauru para compartilharem os “instantes decisivos” preferidos deles.

Alana Nozella

“Essa foto do nascimento do Bento é uma das minhas preferidas e foi totalmente espontânea. Quando ele nasceu e a Aninha pegou ele no colo eles abriram esse sorriso imediatamente. Colocamos em preto e branco para trazer ainda mais a sensibilidade que esse momento teve. Eu quis muito transmitir a felicidade de parir um filho, a parceria e companheirismo também. A Aninha e o Breno foram extremamente parceiros e o Bento nasceu de um parto natural lindo e respeitoso. Gosto muito dessa foto porque ela me transmite verdade. A chegada de um filho é um momento muito esperado por uma família, e o amor que nasce junto com uma criança é indescritível! Viver tudo isso com uma família e sentir a presença de Deus é uma dádiva!”

Luana Maximiano 

“A pose do casal foi pensada mas o beijinho da pet foi espontâneo e ficou muito fofo! Fiz um tratamento, nesse ensaio em específico, onde eu quis realçar o pôr do sol e mudar o tom dos verdes e deixar tudo bem claro.

Nessa fotografia quis transmitir o amor do casal e também o amor de pais de pet, resumindo: muito amor! Eu amo pôr do sol e minha cor preferida é amarelo, foi muito difícil escolher só uma porque as minhas fotos preferidas sempre são as do pôr do Sol.”

Matheus Boletti

“Essa foto foi de um ensaio gestante bem diferente que realizei em 2021. São duas irmãs que ficaram gravidas juntas com apenas dias de diferença. Além de ter o prazer de criar memórias desse momento de gestação, uma das mamães é minha amiga de faculdade, então participar de um momento como esse foi incrível! Tudo que elas queriam transmitir nesse ensaio foi leveza, amadurecimento, simplicidade, amor. O resultado final do ensaio surpreendeu as expectativas de todos! Foi incrível.”

Marília Ribeiro

“Essa foto foi tirada em um momento muito especial em que pude registrar uma pequena e singela comemoração do 40⁰ aniversário de casamento dos meus pais. Sim, 40 anos juntos, Bodas de Esmeralda. Na ocasião, sentamos juntos e revemos as fotos do casamento que aconteceu em 05/07/1981.

A fotografia é toda memória eternizada que temos e que passamos para as próximas gerações. Essa foto foi tirada no sítio em que meus pais moram hoje, eu quis retratar que o amor é paciente, bondoso e que o companheirismo é a chave para a longevidade matrimonial. Também quis retratar com essa fotografia a simplicidade dos meus pais, com formação até a 4ª série, criaram e educaram eu e meus irmãos com grandes pilares fundamentais, honestidade, simplicidade e união. Eu gosto muito dessa foto porque ela retrata exatamente como são meus pais, companheiros de vida e vida simples! Sem dúvidas a minha foto favorita é a minha base para vida!”

Mayra Ferraz

“A foto foi tirada em um editorial que montei e produzi com a ajuda de alguma parcerias. Foi um editorial que montei para portfólio e em parceria com a modelo a gente chegou em uma estética que ela gostasse e que fosse legal para mim, que eu gostasse de fazer e que fosse algo que tivesse com a minha cara. O editorial tem como tema a cigana. A gente chama esse editorial de ‘A Cigana’. Todos os looks do editorial são mais para o vermelho, no máximo vermelho e branco. A intenção do editorial é mais para enaltecer a cigana.

O tratamento que eu faço após a produção da foto é com o Lightroom, eu não costumo usar os Photoshop nas fotos. Então, minhas fotos são tratadas mais com foco em cor e pequenos ajustes de enquadramento, textura, sem efeitos criados. É mais a imagem que eu fiz com variações de cor.

Eu quis transmitir o olhar da cigana e a fumaça por meio da foto, tanto que essa foto em si eu coloquei na rede social da Adobe para mostrar o passo a passo da edição dela lá. É a minha foto que mais deu engajamento lá e o que eu quis transmitir com ela foi o olhar, essa sensação de “olhos de cigana, oblíquo e dissimulada”. Gosto tanto dela por conta disso. Nós fizemos uma sessão toda de fotos e normalmente eu tenho uma ligação muito forte com as modelos que eu chamo para fazer portfólio para mim. Eu sou muito fã da Winnie e quando eu convidei ela para fazer portfólio comigo, ela topou na hora. Acho que esse vínculo com quem eu estou fotografando é muito mais importante para mim. Isso que cria as fotografias que eu gosto mais. Eu preciso desse vínculo com a pessoa que estou retratando para eu ver o mundo com os olhos dela, entrar na mente da pessoa e conseguir fazer esse olhar acontecer. Por isso gosto tanto dessa foto. Eu estava apaixonada pela cena, pelo tema, pela Winnie, tudo estava bonito para mim. Foi muito gostoso de fazer.”

Nádia Maria

“Essa foto foi construída, eu sempre estudo e desenvolvo a ideia antes, desenho, faço alguns testes. Para essa foto usei uma piscina com um tecido preto ao fundo. O efeito de fumaça eu fiz usando leite e movimentando a água levemente. Houve um tratamento, a imagem final é uma sobreposição de duas sequências da mesma série. Essa série foi inspirada no mito de Nix, a personificação da noite e eu gosto dela porque sempre gostei muito desse mito, estudei bastante e sempre quis explorar em algum trabalho. Essa série específica não foi um processo fácil, era um dia muito frio, então tínhamos que ficar aquecendo água e jogando na piscina, fazendo algumas pausas, retomando… mas apesar dos contratempos eu acho que consegui um resultado muito próximo do que eu visualizava.”

Veridiana Ferrari

“É muito difícil escolher uma foto preferida e eu vou explicar por quê. Eu sou fotógrafa de mulheres e isso significa que eu fotografo histórias, histórias únicas e incríveis. Todas elas. Cada mulher traz um universo em si e a fotografia retrata isso, então não tem como desvincular foto de história – o que torna a tarefa da escolha bem difícil.

Decidi compartilhar o retrato da Suelen porque foi um ensaio relâmpago, que fiz por conta de um projeto pessoal, e que me marcou muito profundamente. Normalmente meus ensaios são feitos com tempo, num cenário escolhido com cuidado, numa situação de leveza e alegria. Esse retrato foi feito próximo à janela do quarto onde a Suelen morou quando viveu aqui em Bauru, pouco tempo depois de ela descobrir que precisaria iniciar um novo tratamento contra o câncer. É uma imagem forte e impactante, porque mostra beleza e delicadeza, mas também nos toca pela história que conta: uma jovem mulher, belíssima, com uma grande cicatriz que nos diz, silenciosamente, que algo muito sério aconteceu ali.

Meu principal objetivo, nesse trabalho com a fotografia para mulheres, é mostrar (e provar) que todas nós podemos o que quisermos, que não precisamos ser outra pessoa, nem mudar nossos corpos para desfrutar toda a vida que ele é capaz de viver. Eu sempre falo que precisamos parar de esperar pelo momento certo para nos permitirmos viver algo bonito, algo que desejamos, porque esse momento certo pode nunca chegar. Para mim, esse retrato da Suelen (junto com a história por trás dele) retrata isso com a poesia que eu gosto de oferecer em minhas fotografias. Não tivemos o cenário perfeito, não tivemos as condições perfeitas, a Suelen estava passando por um período complicado e doloroso, e, ainda assim, a beleza está ali.”

Wilian Olivato

“A foto foi feita em 2018, quando fui fotografar e participar do TedX Amazônia. A gente tava indo pro hotel que ficava no meio do rio, em um barco. E quando vi, estava se formando uma pequena tempestade, uma chuva com um tempo bem feio. Mas eu adoro água, rios em especial.

Ela representa coisas muito simples: beleza, força, as coisas da natureza que a gente se acostuma a ver diariamente, mas eu gosto sempre de tentar encontrar beleza exatamente nas coisas cotidianas.

Eu acho que me identifico com isso. A força, as tempestades que fazem parte da vida, o rio que se move e se renova, traz e leva coisas. As impermanências da vida.”

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