Sabe aquela roupinha guardada no fundo do armário, que foi usada apenas uma vez ou que ainda está com a etiqueta? Elas podem desocupar espaço na sua vida e serem usadas para outra pessoa!

Essa é a principal ideia dos brechós: dar uma nova oportunidade para roupas e para pessoas que possam usá-las.

Os brechós estão mudando a visão das pessoas de como consumir a moda, e batemos um papo com alguns donos estes estabelecimentos em Bauru que vão fazer você olhar de forma diferente para o conceito de “novo velho”.

Novidade

Pode ser uma loja física ou uma loja virtual, mas o que ninguém pode negar é que os brechós são uma tendência para a atualidade.

Caroline Oréfice é uma das colaboradoras do blog Cinco Estações, e junto com as amigas, começou a vender roupas pelo Instagram. Para a estudante de jornalismo de Bauru, a ideia dos brechós venderem roupas velhas está ultrapassada, até porque, muitas roupas foram usadas poucas vezes ou nunca.

“As pessoas que vão aos brechós buscam comprar roupas de qualidade por um preço mais em conta. Além disso, muitas delas buscam exercitar o consumo consciente colaborando para um planeta mais sustentável”

Luciana Rodrigues, dona do Xepa Brechó, em Bauru, também é proprietária de um empreendimento online e vê nos brechós uma tendência que tende ao crescimento em escala nacional.

“Os brechós estão se fortalecendo, criando esse novo hábito de consumir conscientemente um produto que já foi fabricado, assim, diminuindo o impacto na produção de novas peças”.

Além do interesse dos consumidores em buscarem novas formas de consumo de roupas e acessórios, Caroline acrescenta que a popularização dos brechós ainda teve a ajuda da fama das digitais influencers, que hoje em dia, têm propagado a ideia de se comprar roupas fora de lojas comuns.

Tudo isso culminou para que público dos brechós se tornasse mais variado, como confirmam os donos de brechó Vintage Shop Guto Alves e Michelle Svicero. O casal tem percebido uma diversificação da clientela. “Recebemos meninas de 16 a 18 anos, e mulheres de 20 até 50 anos”.

Com todas essas mudanças, os brechós também estão implantando os ideais da moda sustentável, um jeito diferente de se pensar em consumo.

Brechós e a moda sustentável

Quando uma peça de roupa ou acessório é comprado, evita-se que aquela vestimenta seja descartada no lixo, atuando de forma ativa para a moda sustentável e diminuindo o consumo industrial.

Para Luciana, os brechós atuam tanto na sustentabilidade da moda quanto de forma social para as pessoas envolvidas com esse ramo.

“Os brechós ajudam a reduzir os impactos ambientais e até mesmo sociais. Muitas indústrias exploram os trabalhadores e utilizam inúmeros recursos naturais. Por exemplo, uma calça jeans para ser produzida gasta em média 3.480 litros de água. A partir do momento que se consome ou adquire uma peça que já passou pelo processo de produção estamos, sim, contribuindo para minimizar esses impactos”

Os brechós estão ganhando espaço no contexto da sustentabilidade e cada vez mais pessoas estão se conscientizando acerca do consumo consciente. Guto e Michelle veem nos brechós uma forma de diminuir os poluentes e a extração de matéria-prima.

Nessa onda sustentável até mesmo as próprias indústrias têxteis estão adotando formas mais limpas de se produzir roupas, pois a exigência dos consumidores vem aumentando a cada dia.

Outra forma de consumir roupas de brechó sem perder a criatividade e ainda se manter dentro da moda sustentável é a partir da customização.

Greice Luiz também é dona de um brechó em Bauru e, além da venda de peças que um dia já estiveram no guarda-roupa de alguém, ela também modifica as peças, deixando-as com um toque personalizado.

Para a bauruense, o reaproveitamento das roupas abre espaço para a criatividade. “É muito bom reaproveitar peças porque temos a oportunidade de customizar, pintar e bordar uma peça pronta”.

Tudo é reaproveitado nas mãos de Greice, que consciente da ação poluidora da indústria têxtil, busca descartar o mínimo possível das roupas que garimpa em brechós da região e de São Paulo.

“Costumo reaproveitar retalhos de tecidos africanos, de malha e algodão para confeccionar brincos artesanais”.

Além da questão da moda sustentável, para Greice, os brechós também atuam na criação de uma identidade pessoal.

“Quando as pessoas vão aos brechós, elas buscam peças baratas, conservadas e que fazem parte da sua identidade dela, que, muitas vezes, as lojas que vendem para a massa têm esta criatividade. No universo do brechó, você encontra as peças fundamentais para a sua identidade e personalidade com baixo custo”

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