Na história do Ocidente, ainda há muitas dúvidas sobre quando aconteceram as primeiras manifestações teatrais.

O primeiro evento com diálogos registrado foi uma apresentação anual de peças sagradas no Antigo Egito do mito de Osíris e Ísis, por volta de 2500 AC.

A palavra ‘teatro’ e o conceito de teatro, como algo independente da religião, só surgiram na Grécia de Pisístrato (560-510a.C.), tirano ateniense que estabeleceu uma dinâmica de produção para a tragédia e que possibilitou o desenvolvimento das especificidades dessa modalidade.

Hoje, o teatro é uma arte renomada e que atua constantemente no dia a dia das pessoas que a praticam. Conversamos com dois alunos de teatro que contaram um pouco mais sobre a mudança que as aulas trouxeram.

Teatro para a vida

Patrick Souza é aluno de jornalismo da Unesp, e começou as aulas de teatro há um ano. A oportunidade surgiu com a criação de um grupo de teatro na faculdade, contudo, a vontade de praticar essa arte já vinha do passado.

“Eu tinha vontade de tentar algo novo. Teatro sempre foi algo que eu tive vontade de fazer durante o fundamental/médio, mas nunca tive a coragem de tentar mesmo. Quando apareceu essa chance, agarrei de uma vez”, ele conta.

Depois de um ano de teatro, o aluno vê as mudanças de ânimo e como o teatro o ajudou a ser mais aberto com as outras pessoas. “Outra coisa que senti também foi uma melhora em reflexos e equilíbrio, pois são coisas que acabamos exercitando um pouco nas aulas”.

M.D. Barreto também faz aulas no mesmo grupo que Patrick, há um ano, mas seu interesse pelo teatro começou lá em 2015, quando a aluna entrou em contato com nomes como Augusto Boal e José Celso Martinez Corrêa, dramaturgos brasileiros, por meio de oficinas em Bauru e até mesmo em vídeos do Youtube.

“A partir de então, pesquisando mais sobre eles e a importância que tiveram (e têm) para o teatro brasileiro, procurei saber mais sobre o teatro como um todo. Em 2017, tive também a oportunidade de iniciar o fazer teatral em uma das disciplinas do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unesp de Bauru, nesse mesmo período passei a desenvolver um projeto de pesquisa para uma Iniciação Científica cujo objetivo está sendo estudar dois grupos de teatro de Ribeirão Preto – SP (minha cidade natal)”, ela conta.

Para a aluna, a maior dificuldade que sentiu no começo das aulas, e sente até hoje, é unir exercícios corporais com exercícios de voz, principalmente em situações de improviso.
“A interpretação de personagens ou situações é realmente muito interessante e nos leva a uma reflexão sobre o como atuar a partir de uma personalidade muitas vezes bem diferente da nossa, assim como a partir de um tema de difícil representação”.

Outro olhar

Para os alunos, são visíveis as mudanças que o teatro pode trazer para a vida e o cotidiano de quem o pratica, e para os professores, essas transformações são ainda mais visíveis.

Susan Lopes é professora de teatro e já trabalha com essa área há 25 anos! Ela começou a fazer aulas aos 13 anos, e 15 anos depois, ela começou a dar aulas.

“Eu comecei a dar aulas por uma necessidade financeira, que é o que leva a maioria dos artistas a darem aula. Acabei gostando, acabei me identificando mais como professora do que como artista”, ela revela.

Susan dá aula para todas as idades, desde crianças de oito anos, a adultos de 80, e percebe dificuldades diferentes para cada idade.

“As crianças hoje em dia, por exemplo, não brincam mais, elas ficam na frente de televisão, computador, jogos eletrônicos e o que a gente sente é a dificuldade de relacionamento social, não sabem brincar em grupo, não sabem brincar com atividade lúdicas, têm restrições motoras, que você só encontraria em pessoas mais adultas”.

Além disso, a professora ainda conta que muitas crianças entram no teatro com o intuito de perder a timidez, mas Susan avisa: teatro não vai desinibir ninguém!

“A característica de ser uma pessoa extrovertida ou introvertida é natural no indivíduo, como a cor do cabelo, do olho. O que acontece, é que a pessoa aprende a lidar com a timidez, mas a timidez não é algo ruim”.

O que as aulas podem fazer ajudar os alunos a lidarem com a timidez e não deixar que ela atrapalhe ou tome conta das pessoas.

“Você aprende a se relacionar com o grupo, aprende a trabalhar a voz. As pessoas têm travas emocionai, e o que a gente ensina é o caminho para a pessoa, sozinha, aprender a lidar com as próprias emoções”, completa.

Thiago Neves é ator bauruense e o teatro já está em seu sangue desde que nasceu, já que seu pai, Paulo Neves, é um dos maiores incentivadores desta arte na cidade. Para ele, “o teatro é para todo mundo, basta estar aberto e disponível a aprender e a se entregar. Acho que as pessoas podem se encontrar e se identificar com e no teatro. Pode ser muito libertador!”.

Embarque no teatro

Apesar de tudo, Susan conta que o teatro é uma arte que exige um estudo constante, e não só na área acadêmica, mas aprendizado cotidiano e até mesmo de outras áreas do conhecimento. “Ele não é limitante”.

E para quem quer começar o teatro, os alunos Patrick e M.D. dão dicas!
“A primeira coisa que diria era para deixar isso [a timidez] de lado, pois quando você está lá com todos os outros, todas as pessoas são iguais, passando pelas mesmas coisas que você também está fazendo, e é divertido rir juntos. Você só precisa ter a coragem de dar o primeiro passo, porque o resto vai ser quase automático, e você começa a ficar animado para que a próxima aula chegue logo”, conta Patrick.

“Há muitas formas de fazer teatro, seja por diferentes formas de exercícios e métodos, assim como funções. O teatro incorpora atividades que vão da elaboração cênica à atuação de fato. É possível que não haja identificação com alguma das formas de exercício teatral, mas sendo amplas as possibilidades, pode haver com outras”, completa M.D.

Por fim, o artista Thiago Neves finaliza: “Esteja aberto às descobertas, questione, mas, principalmente, se entregue de corpo, alma e mente!”.

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