Você sabia que apenas há dois anos as buscas no Google por “cabelos cacheados” ultrapassaram as pesquisas por “cabelos lisos”? Essa informação pode causar certo estranhamento, mas é indício de um movimento que tem cada vez mais adesão em todo o mundo: a aceitação dos cabelos naturais. 

Fim da ditadura do liso  

Como resultado de uma tendência que reinou durante a primeira década dos anos 2000, as pessoas alisaram os cabelos por muito tempo. Que atire a primeira pedra quem nunca queimou o couro cabeludo na tentativa de deixar todo o cabelo chapado.

Principalmente por conta do longo período de alisamento, o processo de abandono de químicas como relaxamento, progressiva e botox é mais demorado. Essa evolução é popularmente conhecida como transição capilar. 

A boa notícia é que estar em transição é extremamente fácil, já que o processo inicia-se no momento em que você decide abandonar a química. No entanto, antes disso, é necessário desvincular-se da ideia que cabelos crespos e cacheados são “ruins”. 

Essa talvez seja a parte mais difícil, pois o cabelo natural, muitas vezes pode ser a origem de diversas inseguranças. E toda a transição baseia-se na reformulação desse conceito de beleza e construção de uma autoestima em relação aos fios naturais. 

O processo estende-se até o big chop, termo que designa o corte final, responsável por eliminar toda a química do cabelo. Portanto, a duração da transição varia exclusivamente de acordo com a paciência disponível.

Para quem tem pouca paciência e quer logo cortar o cabelo, a transição é rápida. O que posteriormente demanda mais tempo é o processo de reaprender a cuidar das novas (ou antigas) madeixas.

Moda? 

Muitas pessoas têm atribuído o retorno dos cachos a uma tendência mundial. Porém, não é apenas uma questão de estar na moda – e falo por mim mesma, que finalizei a transição há menos de um ano. Trata-se muito mais liberdade, confiança e aceitação. 

Neste contexto, também incluem-se famosas que passaram ou estão passando pela transição, como Ludmilla, Kefera, Maisa, Taís Araújo e IZA. Em entrevista para a revista QUEM, por exemplo, Iza comentou que não gostava do seu cabelo crespo e queria se encaixar no padrão. 

Na ocasião, a cantora também declarou:  “Esse [transição] é um momento difícil porque o cabelo começa a nascer com raiz natural e é difícil manter um visual bacana“. 

Verdade nua e crua 

Apesar de ser libertador, é essencial não romantizar a transição capilar. É importante saber que terão dias em que você não encontrará uma forma de ajeitar os fios ou que não se sentirá tão segura. E está tudo bem, é parte do processo! 

Durante a trajetória de aceitação, você reaprenderá a cuidar dos fios e também a gostar de detalhes que, por muito tempo, foram condenados, como o frizz e o volume. 

Como forma de acalmar quem está nesse processo e também incentivar a não desistir, conversamos com quatro bauruenses que passaram pela transição. Elas dão dicas, ensinam táticas e mostram que, apesar de tortuoso, o processo vale muito a pena.  

  1. Sem medo da tesoura 

A cabeleireira bauruense, especializada em cabelos crespos e cacheados, Titta Santos, passou pela transição de uma forma um pouco diferente. Ela conta que o processo foi decorrente de um corte químico severo que quase a deixou careca.

Ela optou pelas tranças para esconder algumas falhas no couro cabeludo. Porém, para suas clientes, recomenda cortes regulares, assim a química é retirada aos poucos.

“As pessoas ficam muito apegadas ao cabelo liso, ao comprimento do cabelo, e acabam cortando pouco. Então, uma transição que duraria às vezes um ano, acaba durando muito mais e isso causa um sofrimento”, explica Titta. 

  1. Tenha paciência 

O fio de cabelo cresce, em média, um centímetro por mês, então paciência é a alma do negócio! Principalmente no caso de cabelos crespos e cacheados, que passam pelo fato do encolhimento, devido ao seu formato. 

A bauruense Isabela Azevedo Duarte, apesar de ter cortado o cabelo logo no início de sua transição para tirar toda a química, também teve que ter calma até o final do processo. 

“Depois de cortar eu coloquei a trança por dois meses, então tirei e cortei novamente. Após isso, coloquei outra trança, durante mais dois meses. Foi aí que vi que meu cabelo estava totalmente sem a química. Depois fiz mais um corte e fui hidratando, até que ficou maravilhoso, mais do que eu esperava”, conta Isabela. 

  1. O Youtube é uma fonte de ideias 

Muitas pessoas começam a alisar o cabelo porque não tinham acesso a informações sobre cuidados com os fios. Porém, atualmente qualquer dúvida pode ser resolvida na velocidade de um clique, então use e abuse dessa praticidade. 

Nas ferramentas de busca, como Google e YouTube, é possível aprender maneiras de finalizar o cabelo, como usar um acessório e até ideias de corte. 

Gabi Vittal, proprietária do salão Black Girls em Bauru, conta que sua transição foi inspirada pelos vídeos da blogueira Nataly Nery. Além disso, também tinha curiosidade para saber como era seu cabelo natural.

Sobre o processo todo, Gabi comenta: “A transição é um passo enorme no empoderamento feminino. É um período de reconhecimento do seu cabelo e da sua identidade.”

  1. As tranças podem ser suas melhores amigas 

Sem coragem ou paciência para lidar com diferentes texturas? As tranças podem ser uma ótima opção!

A bauruense Ana Carolina de Azevedo Bueno, após 17 anos alisando o cabelo, começou sua transição em setembro de 2018. De cara, ela optou pelas tranças para conquistar sua autoaceitação. 

Conversamos com 5 bauruenses que passaram pela transição capilar e elas deram dicas, ensinaram táticas e mostraram que o processo vale muito a pena.

“Hoje eu posso falar que é libertador e incrível ser você mesma e ver, a cada vez que tiro as tranças, meu cabelo cada vez maior. É emocionante e é isso que me inspira todos os dias”, afirma Ana Carolina.  

  1. Tudo vale a pena no final

Independente das dificuldades, o final da transição é extremamente recompensador. A aceitação e libertação resultantes são impagáveis, e isso é consenso entre todas que passam pelo processo. 

Por isso, aqui ficam algumas dicas finais para inspirar mulheres a não desistirem do processo: 

“Esteja ao lado de pessoas que te apoiam e aceitam essa nova versão de você. Coloque sua autoestima acima de tudo e não dê ouvidos a comentários que não sejam construtivos. Inspire-se em outras pessoas que passaram por esse processo e não se esqueça que você é sua maior inspiração.” (Ana Carolina de Azevedo Bueno) 

“Minha dica é para não desistir da transição, pois, mesmo sendo difícil, no final você vai ver o resultado e vai valer muito a pena. Pode ter certeza que você vai ficar muito satisfeita e vitoriosa com o resultado final.” (Isabela Azevedo Duarte)

“Independente se seu cabelo é crespo ou cacheado, cada cabelo, com sua textura, é lindo. Não entre transição para ter cachos, mas sim para assumir seu cabelo natural.” (Gabi Vittal) 

“Cabelo curto é também um momento de transição. O cabelo cresce lindo maravilhoso e saudável! E assim surge um cabelo novo e também uma pessoa nova, aceitando o cabelo natural.” (Titta Santos)

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