Você já parou para pensar de quanto em quanto tempo compra roupas? Todas as peças são extremamente necessárias? Com qual frequência você as usa? Todos esses questionamentos são relevantes, e estão ainda mais em alta durante a crise causada pelo coronavírus, que impactou na renda de muitos brasileiros. 

Mudando o curso do consumo 

A atual situação já está fazendo muita gente repensar a forma e frequência de consumo. De acordo com o IEMI – Inteligência de Mercado, após a pandemia, cerca 60% dos brasileiros devem mudar os hábitos de consumo de roupas e calçados. Destes, 29% pretendem parar de comprar. 

Além disso, o consumo desenfreado de roupas também traz à tona uma questão muitas vezes deixada de lado: a ecológica. O conceito de fast fashion – em tradução livre, moda rápida -, adotado por inúmeras lojas de departamento, consiste na produção desenfreada de coleções. 

Geralmente, elas acompanham tendências de marcas renomadas e fabricam em larga escala modelos parecidos, porém com qualidade inferior. Isso gera um descarte muito maior, já que peças fast fashion são utilizadas menos de cinco vezes e geram 400% mais emissões de carbono do que peças comuns, que são utilizadas 50 vezes.

Além disso, os suprimentos têxteis envolvidos nessa forma de produção também causam outros impactos, como uso excessivo e contaminação da água. Em contrapartida, o movimento slow fashion vem crescendo como uma alternativa mais sustentável. Ele mantém a produção entre pequena e média escalas e valoriza produtores e recursos naturais locais. 

Itens coringas 

Além de prezar por empresas que visam diminuir sua pegada ecológica, uma ótima pedida é apostar em roupas clássicas. Assim, com uma única peça, você é capaz de montar várias combinações sem precisar consumir outros itens, pontua a Coordenadora do curso de Design de Moda do UNISAGRADO, Mariana Dias de Almeida.

“Não há necessidade de possuir muitas peças para estar coerente com seu estilo. Sabendo apostar nas peças com bom tecido e acabamento, as demais que possuir farão a composição na medida certa, sem haver o comprometimento de estar inserido em todas as tendências de estilo”, explica.

Confira algumas peças atemporais

  • Calça, jaqueta jeans e camisa branca: De acordo com Mariana, a calça jeans era usada por mineradores americanos durante o trabalho e era resistente ao ponto de não deixá-los desprotegidos. Ela foi produzida por Levi Strauss por volta de 1883, e, na década de 1930 passou a ser usada também no meio rural. Apenas em 1950 a calça passou a ter um valor cultural pelo seu vínculo a personagens do cinema e à imagem do jovem pós guerra rebelde. As jaquetas jeans com camisa branca também estão inclusas na imagem dessa juventude, que logo teve adeptos da cena musical como Elvis Presley;

  • Blazer e calça de alfaiataria: Essa peças perduraram por muito tempo sem mudanças expressivas, explica a docente. Só foram incorporadas no vestuário feminino no período das guerras, já que, naquela época, as mulheres passaram a trabalhar para suprir a mão de obra masculina que estava nos campos de batalha. A apropriação dos trajes masculinos pelas mulheres se deu com maior tolerância por Coco Chanel já na década 1920.

  • Vestido preto básico: O famoso “pretinho básico” surgiu em 1926, ano em que a revista “Vogue” publicou uma ilustração do vestido criado por Chanel. Antes disso, as jovens não podiam usar preto e as senhoras o vestiam apenas no período de luto. Apenas em 1947, quando o estilista francês Christian Dior lançou o seu New Look, um novo estilo de roupas, com cinturas apertadas e quadris avantajados, valorizando as formas femininas, que o vestido preto ganhou espaço e se tornou uma febre entre as mulheres. 

  • Suéter: Essa peça unissex era, no final do século XIX, um traje esportivo usado para provocar transpiração. Posteriormente, passou a ser inserida no uso cotidiano dos jovens universitários americanos, tornando-se uma peça coringa para os dias mais frios.

Ressignificando peças 

Gostou da ideia de apostar em peças atemporais mas quer diminuir ainda mais seu impacto na Terra? Uma alternativa é escolher roupas em brechós e garimpos. Felizmente, essa é uma tendência que tem, cada dia mais, adesão das brasileiras, já que, segundo o Sebrae, o número de brechós cresceu 210% entre 2010 e 2015. 

A radialista Bruna Novelli, por exemplo, fundou seu próprio garimpo de roupas novas, usadas e principalmente atemporais. 

“Eu desde sempre fui apaixonada por moda e peças vintage. Com o tempo, fui percebendo que estava com o guarda-roupa cheio, ao passo que a cultura dos brechós estava crescendo. A artista Frida Kahlo sempre foi uma mulher inspiradora pra mim. Então me juntei a uma amiga e fizemos o nosso primeiro bazar. Participamos de algumas feiras, mas a sociedade não deu certo. Então, resolvi dar sequência a minha ideia de ter um espaço que fosse meu. […] Assim, encontrei uma loja pequena […] e montei meu garimpo”, conta sobre o surgimento do Garimpo da Frida que administra. 

Ainda, a radialista pontua que seu negócio escancarou a diferença entre os tecidos de peças fast fashion para peças antigas garimpadas. “Elas têm mais durabilidade, por isso, é possível encontrar uma peça com mais de 30, 40, 50 anos em um ótimo estado de conservação. São verdadeiras relíquias”, comenta

Encontrando seu estilo 

Independente da peça escolhida, Mariana ressalta o ponto mais importante quando for a hora de ir às compras: sinta-se confortável e aposte nas peças básicas. 

“Antes de tudo, cada um deve conhecer qual é o seu estilo, apostar no que lhe faz bem. Por isso, aprenda a notar qual tipo de modelagem lhe oferta confiança e atende às suas necessidades. Além disso, aposte nas peças básicas sempre que for a locais que tenha dúvida de como se trajar. Se quiser dar um tom mais despojado, use acessórios que favoreçam a construção do look, finaliza a coordenadora de Design de Moda.

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