Acho que todo mundo um dia comparou sua história de vida com alguma coisa; uma música, um livro, um poema, um filme… Eu já comparei com todos esses, mas agora estou comparando minha vida com o trânsito. “Mas nossa Isadora, por que o trânsito?” Bom, tudo começou quando acordei mais um dia da minha vida para sair da minha cidade (Agudos) e vir trabalhar em Bauru.

Após deixar minha irmã no emprego, estava seguindo para o meu local de trabalho e, chegando na Comendador (avenida de Bauru), quando estava parada no sinal vermelho, começou a passar um filme da minha vida na cabeça. Um filme antigo, mas não era um filme vindo da Isadora de 23 anos e sim da Isadora de 10 anos de idade – e de como eu me imaginava quando tivesse a idade que tenho hoje.

Nesse momento, pude sentir todos aqueles sonhos se transformando em pesadelo. Em caos, sem direção, sem espaço, igual ao trânsito de Bauru. Quem conhece o trânsito daqui acho que dá para entender o que estou querendo dizer. A Isadora de 10 anos não estava mais feliz. Foi quando ela me olhou nos olhos e perguntou: “o que aconteceu com você?”. E eu não tive resposta. Com isso ela foi embora.

Tento me agarrar àquela doce menina, àquela criança sonhadora e feliz. Tento sentir por mais alguns minutos aquele coraçãozinho tão pequeno, mas ao mesmo tempo tão grande e pronta para abraçar o mundo. Assim, escorre a primeira lágrima… e a segunda… a terceira… e não parou mais desde então.

Agora eu me faço a mesma pergunta: “o que aconteceu comigo?” A resposta? A minha vida está igual ao trânsito: um caos. Com várias saídas e entradas, com vários buracos dentro de mim e muitos remendos. Pessoas indo e vindo, às vezes me pedem licença, outras vão entrando sem dar seta. Algumas até te dão espaço para ir, mas outros insistem em não deixar você passar, seguir em frente, mesmo você pedindo para mudar de direção.

É engraçado isso acontecer quando ainda estou tão jovem…tão jovem, mas tão infeliz. A gente sempre ouve falar que as crises chegam aos 30, 40, 50 anos. Devo ser uma nova recordista. Só falta o prêmio. Qual prêmio? Não sei. Pode ser uma dose de felicidade, um pouco de paz e um mar de liberdade. Mas fiquem tranquilos, nem tudo está perdido, a Isadora de 10 anos me chama e eu estou indo de encontro à ela.

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