A sua carteirinha de vacinação está em dia? Bom, esse é o momento ideal para verificar! Isso, porque o estado de São Paulo vive um surto de sarampo e Bauru, até o momento, já registrou nove casos suspeitos, segundo a Secretaria da Saúde. 

Mas por que a urgência? 

O sarampo é uma infecção viral e merece muita atenção, principalmente, por ser altamente contagiosa. De acordo com o Dr. Gustavo Hideki Kawanami, médico infectologista, a taxa de impacto, ou seja, a quantidade de pessoas que adoecem após entrar em contato com a doença é de 90%.

Um exemplo de sua propagação extremamente rápida é o que está acontecendo no estado de São Paulo. Desde o dia 7 de junho, os casos de sarampo dispararam 850% no estado, passando de 51 para 484 até o balanço divulgado no dia 19 de julho pela Secretaria Estadual de Saúde.

A expansão da doença causa aflição porque, caso não seja tratada, pode ocasionar complicações graves e até levar à morte. “É pequena a proporção de casos que complicam, mas, quando ocorrem, são bem críticos”, pontua o infectologista. 

A médica infectologista, Dr. Paula Pinhão Coelho De Paula, também comenta que as principais complicações acometem crianças menores de cinco anos e adultos que tenham alguma doença que aumente sua vulnerabilidade. 

Isso se deve à diminuição da capacidade imunológica do indivíduo, então o desenvolvimento de novas infecções é facilitado. Quando o vírus atinge o sistema nervoso central podem ocorrer pneumonia, diarréia e encefalite.

Fique atento aos sintomas! 

O infectologista alerta para os sintomas de sarampo, que possuem três fases. Na primeira, que dura de dois a quatro dias, o indivíduo apresenta febre normalmente alta, acima de 38,5 graus, coriza, conjuntivite, mal-estar e perda de apetite.

Na segunda fase surge o exantema, que são manchas vermelhas em todo o corpo. Normalmente entre o terceiro e quarto dia, a febre vai embora e então inicia-se a terceira fase: a de melhora.  

“Infelizmente febre e coriza são sintomas de várias doenças. Então ter esses sinais não é motivo para você sair correndo e também não é o momento que iremos suspeitar de sarampo”, comenta Dr. Gustavo.

Porém, ele afirma que, ao aparecem as manchas vermelhas, já é motivo para um pouco mais de preocupação para o sarampo. “Gripe não dá isso, temos diversos diagnósticos semelhantes ao sarampo, mas os resfriados mais comuns não dão as manchas”, discorre.  

Como é a transmissão?

A transmissão do sarampo ocorre por meio das secreções expelidas por quem estiver infectado ao tossir, respirar, falar ou espirrar. Ela é agravada caso haja uma grande aglomeração de pessoas em ambientes fechados, como escolas e meios de transporte. 

O especialista ainda frisa que o que mais causa receio sobre a difusão da doença é que, quatro dias antes de começarem os sintomas nas pessoas contaminadas, a transmissão já está ocorrendo. 

“Uma das grandes dificuldade que temos para conter a disseminação da doença é que já existe o assintomático transmissor. Por isso há a necessidade do bloqueio vacinal nas pessoas que entraram em contato com os casos suspeitos”, afirma Dr. Gustavo. 

Chegou a hora de se prevenir

A forma mais efetiva de evitar a doença é seguindo à risca o calendário de vacinação. A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente durante todo o ano pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A vacina está disponível em todas as Unidades Básicas de Saúde da cidade de Bauru.

A vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, é oferecida gratuitamente durante todo o ano pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
(Foto: Divulgação)

De acordo com a Dr. Paula, a maioria da população, caso não esteja com as vacinas em dia, deve ser imunizada. As contraindicações são: menores de seis meses, gestantes e pacientes que tenham alguma doença que compromete a imunidade. 

A Vigilância Epidemiológica orienta que todas as pessoas devem estar devidamente vacinadas contra o sarampo de acordo com os esquemas abaixo: 

  • Crianças: 

– Uma dose de vacina SCR (tríplice viral) aos 12 meses de idade; 

– Uma dose de vacina SCR-Varicela aos 15 meses de idade. 

  • Todos os Indivíduos com idade entre sete e 29 anos:

– Devem ter duas doses de SCR (recebidas a partir de um ano de idade e com intervalo mínimo de 30 dias); 

  • Adultos acima de 30 anos e os nascidos a partir de 1960: 

– Devem ter pelo menos uma dose da vacina SCR, a partir de um ano de idade, independente de história anterior da doença; 

  • Todos os profissionais da Saúde: 

– Devem ter duas doses da vacina independente da idade; 

Os indicados acima que não souberem sobre o seu padrão vacinal ou não têm a carteira vacinal, devem ser imunizados. Também é interessante ficar de olho, porque pode haver reação após a vacina, manifestada por uma pequena febre que pode durar até uma semana.

Mas a vacina, no geral, possui baixíssimos riscos, afirma Dr. Gustavo. “Caso apresente reações e tenha dúvida, é interessante procurar atendimento médico. É muito importante entender que essa reação vacinal não é um sarampo, portanto é uma situação completamente isenta de risco”, reitera o especialista. 

Medidas em Bauru 

Mesmo Bauru não sendo considerada de risco pela Secretaria de Estado da Saúde, a prefeitura anunciou, no dia 23 de julho, um plano de ações de prevenção ao sarampo. 

Entre as medidas, foram instituídas a varredura nos locais onde os casos suspeitos de Bauru estiveram e o bloqueio vacinal, no qual os profissionais da Secretaria Municipal de Saúde imunizaram todas as pessoas que tiveram contato direto com os pacientes suspeitos.

Além das ações técnicas na área de saúde, a prefeitura também vai promover reuniões com setores da educação. O objetivo é fazer um plano de orientação sobre cuidados e vacinação no retorno das aulas.

Em nota, a Secretaria de Saúde pontuou que todos os casos na cidade ainda são suspeitos e aguardam o diagnóstico exato. Somente após os resultados serem liberados que os casos de sarampo em Bauru poderão ser confirmados ou descartados.

Nada de pânico 

O infectologista ainda reforça que, na situação de Bauru, além de buscar a vacina, é importante entender o período em que estamos vivendo. “A pior coisa que pode acontecer é o pânico generalizado e, normalmente, o pânico decorre da não compreensão da situação”, diz Dr. Gustavo.

Entender os sintomas é essencial para que as etapas seguintes sejam seguidas corretamente. Portanto, caso esteja em dúvida, procure atendimento médico e não se baseie em conhecimento popular.

Dessa forma, é possível garantir que pessoas que realmente necessitam da imunização possam se vacinar. Assim também pode-se evitar a superlotação de leitos em hospitais públicos e privados.

“Quanto antes a pessoa tiver o diagnóstico, mais cedo conseguimos colocar em prática as manobras de bloqueio e isolamento nela e menor é a chance de disseminação da doença”, pontua Dr. Gustavo. 

Além disso, a população em geral não precisa mudar nada na rotina ou deixar de fazer alguma coisa. Apenas a vacinação já é o suficiente para prevenir-se.

Suspeitou? Não perca tempo! 

O especialista comenta que no momento em que apresentar febre e conjuntivite, simultaneamente, já é interessante buscar atendimento médico. 

“Ao apresentar esses sintomas é interessante procurar atendimento por dois motivos. Primeiro, porque é o momento que temos para fazer os exames e tentar o diagnóstico mais breve possível. E segundo para iniciar o bloqueio vacinal o quanto antes”.

Não existe um tratamento específico para sarampo. Os casos devem ser avaliados para verificar se há necessidade do uso de vitamina A, que possui uma ação protetora contra os efeitos mais graves da doença. No geral, o tratamento é sintomático e é indicada a hidratação. 

Dessa forma, não demore para procurar um especialista! Sentiu algum desses sintomas? Vá a um centro médico para realizar os exames. Quanto antes o diagnóstico for feito, mais seguro será para a sua saúde. 

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