Mesmo que você nunca tenha ouvido falar sobre caligraffiti, provavelmente já deve ter visto este tipo de arte nos muros de Bauru. Isso porque, como o próprio nome revela, o caligraffiti é uma arte que mistura caligrafia, tipografia e grafite.

O termo foi usado pela primeira vez pelo pintor canadense Brion Gysin em sua exposição final “Caligraffiti of Fire” realizada em 1986.

Em seguida, em 1997, o artista e historiador jordaniano Widjan Ali usou a palavra para descrever um estilo de arte que surgiu no século 20 no Oriente Médio e no Norte da África.

No entanto, quem deu o real significado ao termo foi o artista holandês Niel Shoe, que começou a grafitar em Amsterdam na década de 80.

Após seu contato com o grafite, Shoe trabalhou com design e publicidade, onde teve a ideia de misturar grafite e caligrafia tornando-os uma única coisa.


Arte: Mari Monteiro

O caligrafitti em Bauru

De acordo com o grafiteiro bauruense Diogo Soares de Jesus, esta arte não é nova por aqui:

Faz um tempo que o caligraffiti chegou na cidade. O Fubas, mais conhecido como Nojo, já traz esse estilo há alguns anos nos muros de Bauru. Se antes dele já tinha algum grafiteiro que fazia esse estilo eu não cheguei conhecer”, conta.

O próprio Diogo é adepto da arte, pela qual se interessou após ver os trabalhos do Nojo. O bauruense conta que, antes disso, já trabalhava com alguns estilos de letra de grafite como o bomb e o wildstyle e depois iniciou uma pesquisa para começar a realizar o caligraffiti.

Igualmente influenciada por Nojo, a artista Mari Monteiro faz caligraffiti há dois meses e revela que sempre olhou com admiração este tipo de trabalho:

Eu sou grafiteira há seis anos. Há muito tempo eu tenho visto este estilo na internet e sempre gostei muito dele. Tinha tentado algumas vezes desenhar o formato das letras, mas achava muito difícil, então ficou como se fosse uma vontade adormecida. O Nojo era minha única referência de calligraffiti. Eu nem sabia o nome deste tipo de letra antes e achava lindo quando via ele fazer. Passado o tempo, o conhecimento foi aumentando e a curiosidade também”, declara.


Mari Monteiro

A arte em formato de letras

Como se trata de uma arte que utiliza letras, você deve estar se perguntando: para realizar o caligraffiti é necessário formar frases?

Segundo Mari, essa é uma escolha do artista, que pode optar por um uso abstrato das letras, fazer frases ou até mesmo mensagens que só ele entenda.

Diogo, por exemplo, sempre traz em seus trabalhos um sentido mais profundo:

Nas minhas obras de caligraffiti sempre busco trazer algo além dos formatos. Tento criar algo que vai ter duplo sentido, que vai te fazer parar para observar e ver que não é somente um formato, mas que tem algo escrito, como, por exemplo, frases ou até mesmo poemas”.


Arte: Diogo Soares

Técnica do caligraffiti

Como toda arte, o caligraffiti é carregado de identidade e subjetividade, por isso, cada artista passa suas características para as obras produzidas.

Por mais referências que se utilize acaba sendo um traço único, nunca igual ao de outro artista”, explica Mari.

Da mesma forma, a técnica para realizar as artes também depende de quem as realiza, mas no geral, envolve o movimento das mãos e dos punhos e a pressão utilizada nos pincéis.

Sobre este último aspecto, Diogo explica que é necessário um estudo de como utilizar os pincéis para que as letras e as formas tenham harmonia entre si e comecem com uma ponta fina e engrossem no final.

Desse modo, para quem tem interesse em começar no caligraffiti, Diogo dá duas dicas principais: a busca de referências e o treino ao longo do tempo, afinal como o velho ditado diz “a prática leva à perfeição”.


Arte: Diogo Soares

Obras para conhecer o caligraffiti

Ao serem perguntados sobre as obras que mais gostaram de fazer nesse estilo, os grafiteiros respondem:

O trabalho de caligraffiti que mais gostei foi um que fechei a parede toda com esse estilo e ficou bem colorido. A obra fica de frente com a rodoviária, do lado do IMI, embaixo de um ponto de ônibus”, diz Diogo.


Arte: Diogo Soares

A minha preferida é uma arte que fica na escola Henrique Rocha de Andrade. Eu fiz essa arte junto com o Diogo. Eu fiz um personagem e ele fez o calligrafiti. É minha favorita, pois nesse dia ele me mostrou algumas técnicas e a partir daí me encorajou a tentar a fazer. No dia seguinte, fiz o primeiro calligraffiti no muro de casa”, finaliza Mari.


Arte: Mari Monteiro e Diogo Soares
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