O filme de Ruben Östlund concorreu em três categorias, porém não levou nenhuma para casa. Recentemente estreou no catálogo do Prime Video e vale muito a sua atenção.

O filme foi vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes 2022. A história começa acompanhando os jovens modelos Carl (Harris Dickinson) e Yaya (Charlbi Dean), que estão navegando pelo mundo fashionista enquanto tentam se tornar influencers.

Eles ganham passagens para viajar num cruzeiro de luxo, e são os únicos passageiros classe média num grupo de milionários, liderado por um alcóolatra capitão comunista do barco (Woody Harrelson).

Porém, uma noite de tormenta e ataques de piratas fazem o navio naufragar, deixando os sobreviventes presos numa ilha deserta. A hierarquia entre o grupo muda completamente quando dentre esse bando de ricaços, a única pessoa que sabe como sobreviver neste local inóspito é a faxineira filipina – capaz de pescar e fazer uma fogueira.

Logo, essa sarcástica comédia dirigida e escrita por Ruben Östlund passa a discutir a nova dinâmica que inverte os poderes entre os sobreviventes e passa a questionar os papeis de gênero.

As três partes do filme possuem algo em comum: a discussão sobre o dinheiro, e como ele é determinante para as relações, desde a escolha sobre com quem decidimos nos relacionar, até a decisão sobre os locais que frequentamos.

Os produtos que consumimos e a imagem que essas escolhas passam para os outros. E também o lado contrário: ao mostrar que, mesmo em condições de igualdade, as relações de poder também possuem uma importância fundamental na maneira como nos comportamos, como nos colocamos diante dos outros e como servimos aos outros.

Está se tornando uma tendência atual de filmes com metáforas sobre a sociedade, recentemente falamos aqui sobre o O Menu, assim como O Poço da Netflix.

Há muitas metáforas utilizadas pelo diretor para representar a mensagem que ele quer deixar conosco. O filme é bastante perspicaz ao adotar um tom exagerado com conceitos e críticas relacionadas ao capitalismo/socialismo/marxismo.

Dinheiro traz felicidade? Não. Porém, ele é primordial para todo o resto. E ignorar isso é ser igualmente hipócrita.

Ruben Östlund

Colecionando prêmios, Ruben é um cineasta, produtor, roteirista e diretor de fotografia sueco. Seus filmes Turist (2014) e Rutan (2017) foram agraciados no Festival de Cannes e condecorados com a Palme d’Or. Outros dois filmes que ele lançou valem a pena também. Principalmente o Força Maior de 2014.

● The Square: A Arte da Discórdia (apenas para locação);
● Força Maior (Prime Video).

Charlbi Dean e sua morte precoce

O falecimento da atriz principal do filme causou um choque, tanto pela idade da atriz, quanto pela causa. Dean morreu de sepse bacteriana após ser exposta à bactéria Capnocytophaga. A sepse ocorre quando substâncias químicas são liberadas na corrente sanguínea para combater uma infecção e desencadeia uma inflamação em todo o corpo. A sua trágica morte aconteceu quando ela estava prestes a alavancar sua carreira de atriz.

Neste sentido, em “Triângulo da Tristeza” há muitas metáforas utilizadas para representar a mensagem sobre sociedade, vista claramente na cena da piscina e principalmente na cena do jantar, que é desconfortante e nojenta. Com um final poderoso e aberto, “Triângulo da Tristeza” vale a discussão sobre quem somos nós e quem queremos ser.

Triângulo da Tristeza, 2022.
Veredito: 4/5
Onde assistir: Prime Video
Duração: 2h 27m
Direção: Ruben Östlund
Agregador no Rotten Tomatoes: 71%
Avaliação da IMDB: 7,4/10
Trailer Youtube

Confira mais textos do colunista: www.socialbauru.com.br/author/gabrielcandido/ 

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