Depois de ser adiado por pelo menos três vezes, e trocas seguidas da direção, o filme solo de um dos heróis mais famosos dos quadrinhos finalmente estreou nos cinemas e já posso garantir: ele é surpreendente!

Mas isso não quer dizer que todas as surpresas são necessariamente boas, vou compartilhar aqui tudo sem spoilers, mas adianto que vale a pena conferir nos cinemas. Dirigido pelo Andy Muschietti, promissor diretor argentino que tem no currículo filmes recentes como o excelente ‘Mama’, 2013 e das recentes adaptações de uma das principais obras de Stephen King, ‘IT – A Coisa’, 2017 e sua continuação de 2019.

Querido pela diretoria da Warner, o diretor, vem ganhando cada vez mais espaço dentro do estúdio e coube a ele, depois de duas desistências e adiamentos, liderar um projeto que deveria ser tranquilo, mas que tinha tudo para dar errado.

Pelos fracassos financeiros e de crítica, o DCEU (DC Extended Universe) que começou sendo liderado pelo polêmico (confesso que gosto bastante) Zack Snyder que apesar de faturar, não conseguia a bilheteria comparada ao seu maior concorrente, a poderosa Marvel.

E olha que esse filme tinha todos os cenários contrários para ser bem sucedido. Já não bastava os problemas internos e financeiros do estúdio, troca de diretores e o seu protagonista, Ezra Miller que se envolveu recentemente em problemas de agressões e escândalos sobre drogas.

Mas com as reformulações, agora liderada, pelo excelente James Gunn, a obra foi refilmada e reorganizada para ser uma espécie de nova fase dos heróis da DC Comics.

Sinopse oficial

‘The Flash’ é o filme solo do herói estrelado pelo ator Ezra Miller. Todo mundo já pensou em voltar no tempo para mudar alguma coisa que incomodou a vida, é por isso que Flash decide fazer o mesmo. Depois dos eventos de Liga da Justiça, Barry Allen decide viajar no tempo para evitar o assassinato de sua mãe, pelo qual seu pai foi injustamente condenado à cadeia. O que ele não imaginava, é que sua atitude teria consequências catastróficas para o universo. Ao voltar no tempo, Allen se vê em um efeito borboleta e começa a viajar entre mundos diferentes do seu. Para voltar para seu plano original, Flash contará com a ajuda de versões de heróis que já conheceu, incluindo versões do Batman que já são conhecidas (Michael Keaton e Ben Affleck), para evitar mais quebras entre universos e voltar ao normal. Baseado livremente na HQ “Flashpoint”.

Esse filme pode ser considerado uma espécie de homenagem a todo universo da DC Comics no cinema e na TV. Ele se mantém como uma continuação do universo criado por Snyder, mostrando que ele está vivíssimo. Mas que já começa uma espécie de reformulação. Eu prometi que não entraria em spoilers nenhum, e de fato se você curte, procure ir ao cinema sem saber nada. As surpresas apresentadas são realmente boas, apesar de provavelmente agradar um público bem mais velho.

Quando eu disse lá no começo que esse filme é surpreendente, eu não menti. Ele realmente surpreende, tanto pelo lado bom e pelo lado ruim. Absolutamente tudo que eles prometem, eles entregam, mas talvez não do jeito que você gostaria, provavelmente isso levará uma parcela a acabar não curtindo tanto. Mas uma coisa eu posso garantir, o filme foi bem corajoso em suas decisões.

Por todo o material apresentado entre trailers, sinopses e fotos oficiais, deixaram bem claro que esse filme utilizaria o multiverso, o que comprova como a Warner é bem ruim em suas decisões.

Eles conseguiram que um projeto anunciado em 2017, ficasse para trás do seu maior concorrente, que no ano passado vem trabalhando com o tema, e ficou bem nítido quando o filme do Flash chega aos cinemas bem na época do sucesso do Homem-Aranha: Através do Aranhaverso. O que comprova como a DC e a Warner perderam a oportunidade de serem pioneiras no tema.

Mas voltando ao filme, tudo que foi prometido foi entregue: multiverso, dois Flashes, dois Batmans, Supergirl voltando aos cinemas e o retorno do primeiro vilão do DCU, Zod, interpretado pelo excelente Michael Shannon. Porém, seus desfechos são bem diferentes do que a gente imaginava do que seria. Todos eles são incríveis na história, mas fica uma sensação de que talvez eles poderiam ter outros desfechos, mas que no final é compreensível. A Supergirl de longe foi a mais prejudicada neste ponto.

Eu confesso que em primeiro momento achei esquisito, mas por outro lado, o maior mérito do filme é que ele é e sempre será um filme do Flash. Ele é o foco da trama, o foco das cenas de ação e os outros personagens estão lá apenas como coadjuvantes nesta corrida (olha o trocadilho) para contar uma história complexa e com muitas camadas com duas 2 horas e meia de filme.

Outro ponto negativo é a visível falta de polimento no CGI (sigla em inglês para o termo Computer Graphic Imagery, ou seja, imagens geradas por computador. É a famosa computação gráfica. O termo se refere às imagens, geradas em computadores, que têm três dimensões e profundidade de campo).

Algumas cenas chegam a dar vergonha e se você estiver em uma sala de cinema que seja minimamente preparada para uma exibição em IMAX ou Macro XD beira o vergonhoso.

Entretanto, um dos maiores pontos positivos, além do trabalho nostálgico, é a atuação de Ezra Miller que comprova a força que a Warner fez em manter ele dentro do projeto, afinal, apesar dos problemas de fora, ele é o coração do filme e entrega uma das melhores atuações relacionadas a filmes de super heróis.

Entre grandes participações e easter eggs, o mais aguardado seria o retorno de Keaton como Batman.

O retorno de Michael Keaton

Michael Keaton foi responsável em moldar uma geração no final dos anos 80 que atingiu seu auge nos anos 90 e teve um ostracismo nos anos 2000. Keaton foi o astro de filmes clássicos como Beetlejuice em Os Fantasmas Se Divertem e se tornou o Batman dos filmes de Tim Burton, que apesar de hoje serem considerados “velhos” eles foram importantes para o que o mercado é hoje sobre o segmento. Voltando aos holofotes apenas em 2014 com o elogiado e premiado Birdman, dirigido pelo Alejandro Iñárritu.

Keaton se tornou um dos principais pontos de divulgação para o filme, afinal é pelo tom nostálgico que ele e seu universo do Batman que se juntaria com o protagonista Flash. Ele é peça fundamental para a história, porém, como dito anteriormente, a história não é dele, mas sua participação é algo imensurável com um tom de querer mais.

The Flash é um filme que teoricamente seria descompromissado, mas que se tornou relevante em virtude de suas ações. É um ótimo filme pipoca mas que consegue flutuar com arcos dramáticos e aventurescos, tudo ao mesmo tempo, apesar de certos exageros. É uma continuação do Liga da Justiça de 2017 ou da versão estendida, mantém o que vinha sendo produzido, mas que consegue trazer um ar de frescor.

Foge dos clichês, apesar de um terceiro ato padrão. Cria uma expectativa para um futuro novo universo da DC e entrega um filme divertido. Queria falar um pouco mais, mas acabaria entrando em spoilers. The Flash é uma grande homenagem ao universo de heróis da DC, mas acima de tudo, é um filme sobre um único personagem. O Velocista Escarlate, o Flash.

Flash, 2023
Veredito: 4,5/5
Onde assistir: nos cinemas
Duração: 2h 35m
Direção: Andy Muschietti
Agregador no Rotten Tomatoes: 67%
Avaliação da IMDB: 7/10
Trailer

Confira mais textos do colunista: www.socialbauru.com.br/author/gabrielcandido/ 

Compartilhe!
Carregar mais em Colunistas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também

Beatles em 4 filmes

Anunciado nesta semana, em parceria com a Sony e a Apple Corps (empresa responsável por to…