25 de dezembro de 1981 estreou nos cinemas brasileiros um filme que até então não tinha o nome do seu protagonista. Estrelado pelo ator da famosa saga Star Wars, um tal de Harrison Ford com a produção e roteiro de George Lucas, um filme inspirado nas revistas pulps dos anos 30. Os Caçadores da Arca Perdida se tornaria um sucesso gigantesco, dirigido pelo novato e talentoso Steven Spielberg que tinha acabado de reinventar o cinema com o sucesso comercial Tubarão de 1975.

O filme conta a história de um arqueólogo que buscava tesouros e se meteu com nazistas para encontrar a Arca da Aliança, uma relíquia bíblica que contém os dez mandamentos. Com uma mistura de ação, aventura e ficção, Indiana Jones, que posteriormente foi intitulado assim, transformou o conceito de cinema em uma aventura que influencia até hoje.

Quarenta e oito anos depois (se a minha matemática de humanas ainda funciona), temos a quinta e última aventura, dessa vez, com um novo diretor, James Mangold, conhecido atualmente por dirigir o filme Logan de 2017 e do excelente Ford vs Ferrari de 2019.

Coube a ele dar um fim a saga, algo que teria sido terminado no questionável filme anterior, Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Porém, pela crítica e pelo público, acabou deixando um gosto meio amargo.

Apesar de Indiana Jones, hoje falar muito mais com um público mais velho, o que pode transformar o filme em um fracasso de bilheteria, nada comparado ao Flash. Mas acredito que ele não tenha um apelo muito popular.

Mas vamos lá, em Indiana Jones e a Relíquia do Destino, Indiana Jones (Harrisson Ford), famoso arqueólogo, professor e aventureiro, embarca em mais uma missão inesperada. Neste retorno do herói lendário, Indiana Jones, encontra-se em uma nova era, aproximando-se da aposentadoria. Ele luta para se encaixar em um mundo que parece tê-lo superado.

Mas quando as garras de um mal muito familiar retornam na forma de um antigo rival, Indiana Jones deve colocar seu chapéu e pegar seu chicote mais uma vez para garantir que um antigo e poderoso artefato não caia nas mãos erradas. E, desta vez, ele tem o sangue de uma nova geração para o ajudar nas suas descobertas e na sua luta contra o vilão Jürgen Voller (Mads Mikkelsen). Acompanhado de sua afilhada, Helena Shaw (Phoebe Waller-Bridge), o arqueólogo corre contra o tempo para recuperar o item que pode mudar o curso da história.

O filme tem um tom depressivo inicial, algo como que a “era de ouro” já passou, afinal, ele tem um senso saudosista, que propositalmente se mistura com a própria história do personagem, afinal, o filme anterior terminou com um tom de felizes para sempre, mas vemos aqui, nem tudo são flores na nossa vida. Por outro lado, o filme se preocupa de forma exagerada em entregar tudo que os fãs queriam, eu disse tudo.

Desde de um vilão nazista, uma cena inicial que lembra bastante, devida as proporções, a cena inicial de Indiana Jones e a Última Cruzada, um garoto prodígio que lembra bastante Short Round de o Templo da Perdição e tudo isso misturado com um senso de ação com nostalgia.

Entretanto, infelizmente, a gente envelhece, os nossos personagens também, e o próprio ator. E isso fica nítido nas cenas de ação, que apesar da licença poética, fica bem complicado abraçar certas ocasiões. E se você achava que alienígenas eram uma extravagância do filme anterior, se prepare que aqui os limites ultrapassam qualquer senso, seja para o lado positivo e para o negativo.

Além disso, Phoebe Waller-Bridge rouba todas as cenas que está presente, é inacreditável como ela tem um dom de se tornar todo o foco da cena, a atriz é carismática demais. Apesar de achar que alguns momentos ela apenas repete o que fez em Fleabag.

O filme é dividido propositalmente em três atos, que deixam bem claro a intenção do retiro. Se tem um prólogo exagerado, é para manter o tom aventuresco do passado, se coloca como uma aventura investigativa do meio e no terceiro ato, se transforma em algo que jamais imaginaria que a saga iria, talvez nem o próprio George Lucas imaginaria um cenário como esse.

Sem spoilers, o filme se encerra de uma maneira divertida e nostálgica, por um outro lado fica uma sensação de filme episódico, que talvez pelas minhas expectativas, pensava que teria um final maior. Mas um ponto importante, é que a essência do personagem está lá. Quase como uma volta às origens…

Origem e sua importância para o Cinema

Como George Lucas criou Indiana Jones? Lucas era fascinado com as aventuras oferecidas pelos seriados de sábado à tarde. Principalmente aquelas focadas nas histórias Pulps Noir da década de trinta. Inspirado por essas jóias cinematográficas, o cineasta começou a criar a ideia de seu próprio herói, que acabaria assumindo a forma de um professor universitário e arqueólogo que enfrenta inimigos implacáveis.

Nitidamente inspirado no James Bond, aliás, na época, se falava que Spielberg gostaria de ter dirigido um filme sobre 007. Que acabou não dando certo, porém, anos depois ele escalou Sean Connery para ser o terceiro filme, e o melhor da saga.

Antes de chamar Spielberg para encabeçar o primeiro filme da franquia, Lucas falou com Philip Kaufman, que trabalhou na ideia antes de abandonar a produção para desenvolver o roteiro de Josey Wales, o Fora da Lei, com Clint Eastwood. Depois disso, o criador do arqueólogo engavetou a ideia de Indiana Jones para trabalhar em Star
Wars. Que resultou no sucesso gigantesco de Star Wars que fez os sinistros ganharem moral para tocar o projeto, e assim, nasce “Os Caçadores da Arca Perdida” que na época ainda não tinha a marca Indiana Jones.

Movimento muito parecido com o próprio Star Wars. A verdade é que, mesmo após tantos anos da sua criação, Indiana Jones é até hoje super popular e por isso, tem diversos fãs espalhados pelo mundo. Apesar de não hoje eu ter a percepção que ele não atinge um público muito jovem, provavelmente esse filme novo será bem focado em um público mais velho. Até porque o filme anterior de 2008 tinha essa ideia com o Shia LaBeouf, mas não funcionou.

Voltando ao tema Pulp que originou a saga, o termo surgiu porque essas publicações eram feitas com papel produzido a partir da polpa das árvores, que era mais econômico e permitia o barateamento do produto final. Originadas próximo dos anos 1900 e existente até certa de 1950. Eram muito comuns e, nas bancas, as revistas eram vendidas por preços que iam de 10 a 25 centavos de dólar.

As revistas pulp, muitas vezes, traziam histórias violentas, com personagens moralmente questionáveis. Foi por isso que, em 1994, o cineasta Quentin Tarantino optou por batizar seu segundo filme com o título Pulp Fiction, numa trama baseada no subgênero policial dessas publicações “das antigas”.

E para te ajudar, caso você não tenha visto, segue a ordem de lançamento dos filmes e onde encontrar:

● Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida em 1981 (Disney Plus e Globoplay);
● Indiana Jones e o tempo da perdição, lançado em 1984 (Disney Plus e Globoplay);
● Indiana Jones e a Última Cruzada estreado em 1989 (Disney Plus e Globoplay);
● Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal lançado em 2008 (Disney Plus e Globoplay).

Indiana Jones e a Relíquia do Destino era uma das minhas maiores expectativas do ano, mencionado aqui (link). Tem em sua dádiva ser o sucessor do questionável Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, por outro lado, ele também tem sua maldição por tentar revisitar um passado que talvez não precisasse mais.

Acredito que não fará grande barulho na bilheteria, afinal, essa saga como um todo não conseguiu ultrapassar a bolha do baby boomer e talvez uma geração X. No geral achei um ótimo filme, com ótimas ideias, mas com um final meio esquisito e que jogou no seguro, aliás, no seguro demais. Deixando um ponto final na história ou se quiserem, mais um sexto filme.

Indiana Jones e a Relíquia do Destino, 2023
Veredito: 4/5
Onde assistir: Nos cinemas
Duração: 2h 22m
Direção: James Mangold (Spielberg fez falta)
Agregador no Rotten Tomatoes: 66%
Trailer

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