Uma tosse, um espirro, ambientes aglomerados ou até um simples aperto de mão. O que eles têm em comum? São grandes vetores de contaminação. E, se você acha que isso se restringe à transmissão do coronavírus, está enganado! 

A grande maioria das doenças respiratórias, mais comuns no Outono e Inverno, são transmitidas dessa forma. Ainda, o infectologista Fabrício Cardoso de Almeida, explica que, no caso da Covid-19, a transmissão conhecida atualmente é feita pelas vias aéreas. 

“Ela ocorre através da inalação de partículas de secreções respiratórias de pacientes que já possuem o vírus. Além disso, eventualmente, as gotículas podem contaminar superfícies, como balcões, mesas, cadeiras, e a pessoa pode passar a mão inadvertidamente e tocar na mucosa do rosto, na boca, no nariz, nos olhos. Por isso, essa é uma epidemia difícil de ser controlada sem a adesão das pessoas, sem a conscientização de que elas precisam evitar o contato social”, acrescenta o profissional.

A Lei 13.979, de 6 de fevereiro, já trata das medidas que podem ser aplicadas para combater a epidemia de coronavírus no Brasil. Entre elas, estão o isolamento e a quarentena. No entanto, ambas são aplicáveis apenas para casos assintomáticos, suspeitos – confirmados ou prováveis – ou pessoas que tenham entrado em contato com casos confirmados. 

No entanto, uma medida em prol do bem comum está cada vez mais em pauta: a quarentena domiciliar voluntária. Neste caso, a ação é realizada por pessoas que não estão doentes ou não apresentam sintomas e atua na contenção dos casos.  

Isso ocorre porque, além de manter as pessoas que estão em casa saudáveis, também contém a circulação do vírus nas cidades. 

Assim, seguindo essa premissa, o Ministério da Saúde recomendou a suspensão das aulas em vários estados e cidades, incluindo Bauru, que paralisou suas atividade temporariamente. 

Além disso, outros estabelecimentos como academias, shoppings e comércios também estão reduzindo suas atividades ou fechando completamente para reduzir o fluxo de pessoas. 

Isso, porque a orientação é que sejam adotadas medidas de distanciamento social.

Pelo bem geral 

Fabrício Cardoso define a quarentena, basicamente, como o isolamento social de alguém. No entanto, destaca que, mesmo pessoas assintomáticas em quarentena voluntária, devem, dentro de seus lares, manter uma distância de um metro dos demais. 

Atitudes que reduzam interações sociais são imprescindíveis, uma vez que, de acordo com um estudo publicado nesta quarta (18), realizado por pesquisadores da PUC-Rio, Fiocruz e Instituto D’Or da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro, o Brasil pode ter até 4,9 mil casos oficiais de Covid-19 dentro de 8 dias. 

Por isso, enquanto o país não decreta a quarentena obrigatória, assim como fez a Itália após o número de casos de coronavírus sair do controle, a dica, para quem tem a possibilidade, é: resguarde-se em casa por livre e espontânea vontade. A atitude será benéfica para você, seus entes queridos e também para toda a sociedade. 

O infectologista ainda destaca a importância desse tipo de precaução para a diminuição de casos e de óbitos. “Nós estamos propondo que as pessoas deixem de trabalhar, fiquem em suas casas. É parar não só o país, mas a economia mundial, assim como vários países estão fazendo. Isso é necessário por conta da severidade e aceleração que novos casos estão surgindo”, pontua.  

Por conta da mobilização neste sentido, várias empresas – incluindo o Social Bauru – adotaram home office ou implantaram escala entre os funcionários. 

Além da quarentena domiciliar voluntária, medidas como tossir ou espirrar cobrindo a boca com a parte interna do cotovelo, higienizar as mãos com frequência – seja com água e sabão ou com álcool em gel – e a limpeza das superfícies que têm contato com as mãos das pessoas, são essenciais, acrescenta o profissional.

Quarentena não é férias 

Além de ficar em casa, é importante ter atenção, especialmente, com as crianças. No caso de prédios, é comum que os pequenos acabem se estressando após muito tempo dentro de casa e queiram brincar nas áreas comuns. 

No entanto, a reflexão sobre a responsabilidade de cada um na contenção da disseminação do vírus é primordial. Até porque, ainda que as crianças não sejam parte do grupo de risco, elas são transmissoras em potencial, especialmente para idosos com quem convivem, como os avós. 

Ademais, de que adianta afastá-las da escola se ainda estarão em contato com várias pessoas, ainda que nas áreas do prédio? Quanto à mobilização de administradores de condomínios, conversamos com a administradora da empresa Gecon, responsável pela gestão de vários condomínios em Bauru, que emitiu o seguinte posicionamento sobre a circulação nas áreas comuns dos prédios: 

“O que a gente tem feito é apenas instruir, porque como não saiu nenhum decreto, nada que tenha tenha dito que é obrigatório, nós não podemos impedir. No entanto, nós estamos colocando avisos e comunicados em todos os condomínios. Mesmo antes de sair alguma lei, nós temos orientando, colocado advertências e informativos sobre o vírus, como evitar e também temos colocado álcool em gel nas portarias”. 

Por fim, o infectologista Fabrício Cardoso frisa a relevância da adoção da quarentena voluntária pelos bauruenses: 

Cada pessoa infectada pelo coronavírus pode contaminar, em média, outras três pessoas. Essas três pessoas podem, cada uma, gerar mais três casos. É uma progressão. A quarentena voluntária é a primeira etapa para se tentar diminuir o número de casos e, consequentemente, o número de casos graves. O próximo passo é de quarentena obrigatória, ou seja, suspensão de algumas atividades, decretação de calamidade pública e cerceamento de alguns direitos civis. Então, é necessário que as pessoas se conscientizem sobre a necessidade de evitar o contato social voluntariamente, ou então as autoridades sanitárias, observando o aumento exponencial dos casos, podem decretar a quarentena compulsória”, finaliza.

* Consultoria: Fabrício Cardoso de Almeida (CRM 133.000), infectologista do Grupo São Francisco/Sistema Hapvida.

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